Aos 80 anos, o ator americano Sylvester Stallone relembrou momentos marcantes de sua trajetória e os bastidores de produções clássicas em entrevista recente. Aos 29 anos, pouco antes de rodar as primeiras cenas do filme Rocky no início de 1976, o artista sentiu insegurança. No livro de memórias Os Degraus, com lançamento previsto para novembro pela Editora Sextante e atualmente em pré-venda no Brasil, ele relata que, ao ser questionado se estava pronto, respondeu que não, mas que o personagem estaria. Na sequência, correu para a escadaria do Museu de Arte da Filadélfia com a equipe de filmagem e comemorou com socos no ar, improviso que virou a cena-símbolo do longa vencedor do Oscar em 1977.
O filme retirou Stallone de uma situação de extrema escassez e abriu caminho para personagens como o veterano de guerra Rambo. Criado por pais abusivos — com relatos de rejeição por parte da mãe e violência por parte do pai —, o ator encontrou propósito na atuação após enfrentar anos de rejeição em testes, o que o levou a escrever seus próprios roteiros. Atualmente sem planos de aposentadoria, ele protagoniza a série Tulsa King, exibida no Paramount+.
Questionado sobre as forças para persistir diante de uma infância marcada por abusos, o ator afirmou que lida com os problemas mantendo-os sob controle e usando insultos passados como combustível, sem nunca ter buscado ajuda de um psicoterapeuta. Stallone também comentou a criação de suas três filhas, afirmando que as educou para serem fortes e conhecerem os truques masculinos, tratando-as de forma direta para que compreendessem como os homens pensam.
Sobre a repercussão de seus traumas, o ator declarou que, apesar da infância terrível, não foi destruído pelas agressões verbais e reforçou sua visão de que a vida é uma luta contínua. A respeito de sua relação com o esporte brasileiro, Stallone relembrou um incidente com Pelé durante as filmagens de Fuga para a Vitória (1981), quando o ex-jogador quebrou seu dedo mindinho ao cobrar um pênalti com chuteiras pesadas e uma bola rígida após provocações do ator sobre o futebol.
O artista também mencionou desavenças passadas com o cineasta Francis Ford Coppola e com o ator Richard Gere, afirmando que não fez as pazes com Coppola, enquanto com Gere tratava-se de rivalidade da juventude entre dois machos alfa disputando papéis. Sobre a discussão em torno da masculinidade tóxica, Stallone pontuou que homens têm comportamentos impulsivos por natureza, mas repudiou veementemente a violência contra mulheres, defendendo punições severas para agressores.
No âmbito familiar e pessoal, o ator falou sobre a dor da perda de seu primeiro filho, Sage Stallone, que faleceu de infarto em 2012 aos 36 anos, assunto que descreve como extremamente doloroso e carregado de culpa paterna. Com relação ao cenário político, Stallone negou boatos de que teria sido nomeado embaixador de Hollywood pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarando que não gosta de políticos, não faz campanhas ou doações e critica intervenções militares externas.
Por fim, ao deixar conselhos para quem busca realizar sonhos, o ator enfatizou a importância de ser honesto consigo mesmo, conhecendo os pontos fortes e, sobretudo, as fraquezas, alertando que o sucesso não é garantido na maioria das tentativas.
