O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou nesta sexta-feira (18) enxergar motivação eleitoral no reajuste do Bolsa Família promovido pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Questionado sobre a declaração de Flávio Bolsonaro (PL), que definiu o aumento como um “ato de desespero” durante campanha em Vitória da Conquista (BA) na quinta-feira (17), Tarcísio afirmou: “Concordo”.
De acordo com o governador paulista, o reajuste não estava nos planos iniciais do governo federal, apontando que a medida estaria ausente na proposta orçamentária enviada ao Congresso no encerramento de agosto. “Se fosse algo planejado, isso estaria contemplado na peça orçamentária. Observem que houve o envio da LOA no final do mês de agosto e isso não estava contemplado. Então, não era intenção do governo fazer o reajuste do Bolsa Família neste momento”, argumentou.
Tarcísio associou o anúncio ao calendário eleitoral e à disputa presidencial. “Com a proximidade das eleições, e a gente está vendo aí a dificuldade do PT se manter, e eles estão caindo, perdendo tração, e o Flávio vem crescendo”, disse, reiterando apoio a Flávio Bolsonaro e afirmando que o candidato do PL ganha força de forma consistente para vencer a pleito. O governador também criticou a decisão sob a ótica econômica: “Eles estão partindo por tudo ou nada, independentemente da situação fiscal”.
Detalhes do reajuste e impacto nas contas públicas
O governo federal divulgou na quinta-feira um acréscimo de 15,04% nos valores repassados pelo Bolsa Família, com vigência a partir da folha de outubro, a 17 dias do primeiro turno. Com a mudança, o piso do programa sobe de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado avança de R$ 675 para R$ 777.
Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o índice reflete a inflação acumulada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no intervalo entre março de 2023 e agosto de 2026, com o objetivo de recompor o poder de compra das famílias atendidas. Por sua vez, o Ministério do Planejamento estimou que a medida exigirá um aporte de R$ 5,8 bilhões em 2026 e aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027, obrigando o Executivo a adequar o Projeto de Lei Orçamentária Anual entregue ao Legislativo.
Decisão do STF e críticas gerais
O timing do anúncio gerou contestações de diversos candidatos à Presidência. No entanto, em decisão emitida nesta sexta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), validou o decreto governamental e pontuou que a medida não infringe a legislação eleitoral, estando amparada pelas normas aplicáveis aos benefícios sociais em período de campanha.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/tarcisio-ve-motivacao-eleitoral-em-reajuste-do-bolsa-familia/
