A relação entre os Estados Unidos e a Ucrânia atravessa um momento de forte desgaste, marcado por desentendimentos sobre sanções econômicas, compartilhamento de inteligência, ataques ucranianos a refinarias russas e os rumos das negociações de paz. O cenário evidencia um distanciamento acentuado entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Na segunda-feira (19), Trump criticou duramente Zelensky ao afirmar que o presidente ucraniano desconhece a realidade da situação e sugerir que seria momento de outra pessoa conduzir as negociações em nome de Kiev. As críticas ocorrem na esteira de ataques de drones lançados pela Ucrânia contra infraestruturas energéticas na Rússia, incluindo um terminal petroleiro em São Petersburgo. Os bombardeios desafiam as exigências de Trump para que o governo ucraniano interrompa investidas contra refinarias russas, iniciativa que a Casa Branca tenta conter para aliviar os preços do petróleo e do diesel nos EUA antes das eleições de meio de mandato.
Em entrevista concedida no domingo, Zelensky rebateu as pressões e classificou as recentes concessões de sanções feitas por Washington à Rússia — que incluem isenções para exportações de diesel russo — como um fortalecimento da guerra conduzida por Vladimir Putin. O presidente ucraniano apontou que uma aliança entre os EUA e a Rússia representaria um erro histórico e afirmou esperar que Trump mude sua postura em relação a Moscou. Por sua vez, Trump escreveu no Truth Social que Zelensky demonstra não ter interesse em encerrar o conflito.
O atrito também se estendeu a questões logísticas e de segurança. Zelensky relatou que alterações no sistema Starlink limitaram a velocidade de drones ucranianos, apontando a medida como um recado do governo dos EUA. Enquanto Elon Musk declarou que os sistemas são controlados pelo governo norte-americano, a administração Trump negou ter ordenado restrições e afirmou não saber quem determinou a mudança. Adicionalmente, Zelensky apontou que Kiev deixou de receber alertas antecipados de parceiros sobre ataques recentes com mísseis balísticos russos. A acusação foi rechaçada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que negou qualquer interrupção no fluxo de informações.
Diante do cenário de incertezas, Zelensky conversou por videoconferência com parlamentares norte-americanos de ambos os partidos na segunda-feira, classificando o momento atual como o mais difícil desde o início do conflito e alertando para indícios de desaceleração no apoio político a Kiev. No âmbito diplomático, o presidente ucraniano manteve diálogo com o enviado dos EUA, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, e também conversou com o papa Leão XIV, que recentemente tratou da situação humanitária na cidade de Oleshky com Vladimir Putin.
