Investigação da Polícia Federal
Um relatório da Polícia Federal aponta a hipótese de que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli seria o “beneficiário final” ou o “proprietário de fato” do Fundo de Investimento em Participações Arleen, que teria recebido ao menos R$ 35 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram reveladas pela revista Piauí em reportagem publicada na quinta-feira (10).
O documento da PF indica que, através de uma operação envolvendo a empresa Egide I, recursos do fundo foram transferidos para uma estrutura registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe. O fundo Arleen era sócio do Tayayá, resort ligado a Toffoli e sua família em Ribeirão Claro (PR).
Movimentações e conexões
Segundo o relatório, o fundo pertencia a Vorcaro e, em fevereiro de 2025, passou para o empresário Alberto Leite, amigo do ministro. Após a aquisição, o regulamento do Arleen foi alterado para permitir investimentos no exterior e, em dezembro, R$ 34 milhões foram transferidos para a Egide I Holding. A PF aponta indícios de que Toffoli poderia ser o beneficiário final desses ativos, utilizando “interpostas pessoas”.
Caso dos precatórios e influência
Os investigadores levantaram a suspeita de que Vorcaro tentou influenciar uma decisão de Toffoli sobre precatórios do setor sucroalcooleiro, especificamente no caso da destilaria Alcídia. Mensagens entre o banqueiro e seus operadores demonstram preocupação com o voto do ministro, que acabou sendo favorável à empresa. O gabinete de Toffoli nega qualquer alteração de voto.
Relações pessoais e profissionais
O relatório registra ao menos 12 encontros entre o ministro e o banqueiro, além de citar que Roberta Rangel, então esposa de Toffoli, atuou como advogada de Vorcaro entre 2020 e 2025. Após a PF encaminhar o relatório ao STF, Toffoli abriu mão da relatoria do caso Master, e o pedido de suspeição foi arquivado. O ministro André Mendonça assumiu o processo em fevereiro.
