NewsHub
Tecnologia

Toronto se consolida como polo global de Inteligência Artificial fora do Vale do Silício

Toronto, no Canadá, emerge como um dos principais centros mundiais de Inteligência Artificial, atraindo gigantes como Google e Nvidia e desafiando a hegemonia do Vale do Silício.

Redação•05 de set. de 2026, 10:18
Toronto se consolida como polo global de Inteligência Artificial fora do Vale do Silício
Imagem: site

Toronto se consolida como polo global de Inteligência Artificial fora do Vale do Silício

Ouça esta matéria em voz alta

A trajetória de Geoffrey Hinton e a ascensão de Toronto

Geoffrey Hinton, cientista da computação e ganhador do Prêmio Nobel, tomou uma decisão audaciosa na década de 1980: deixou um cargo bem financiado na Universidade Carnegie Mellon para se dedicar ao aprendizado de máquina na Universidade de Toronto. Quatro décadas depois, sua pesquisa fundamentou os sistemas modernos de Inteligência Artificial (IA) e transformou a paisagem urbana do Canadá. Enquanto o Vale do Silício permanece como o núcleo da tecnologia, um ecossistema robusto de IA floresceu ao redor de Hinton em Toronto.

Gigantes como Google, Nvidia, Meta e Microsoft, além de diversas startups, estabeleceram escritórios e laboratórios de pesquisa próximos à Universidade de Toronto. O interesse se estende a outros setores, como a farmacêutica Sanofi, que anunciou um investimento de quase US$ 300 milhões em um Centro de Excelência em IA na cidade. Atualmente, Toronto detém o terceiro melhor mercado de talentos tecnológicos do mundo, superando Nova York e posicionando-se logo atrás de São Francisco e Seattle, segundo a consultoria CBRE. Esse sucesso é atribuído a instituições como a própria universidade e o Vector Institute, cofundado por Hinton para comercializar avanços na área.

Investimentos estratégicos e liderança nacional

Em entrevista à CNN, Hinton destacou que Toronto atraiu uma geração de líderes em IA. Para sustentar esse crescimento, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, planeja impulsionar o setor com uma estratégia nacional que envolve mais de US$ 2 bilhões em investimentos para pesquisa, educação e segurança. Este movimento ocorre em um período de tensões comerciais entre Estados Unidos e Canadá, o que reforça a necessidade de independência tecnológica. Hinton ressalta que o Canadá não pode depender exclusivamente das tecnologias americanas ou chinesas.

Diferenciais competitivos: Qualidade de vida e imigração

Entre os novos líderes está Nick Frosst, cofundador da Cohere, avaliada em US$ 7 bilhões. Ele optou por permanecer em Toronto pela qualidade da comunidade acadêmica, artística e empresarial. Outros executivos, como Gennady Pekhimenko (Nvidia) e Tomi Poutanen (Signal 1), apontam o cenário gastronômico internacional e o sistema de saúde universal como ferramentas de recrutamento. Hinton acrescenta que as políticas de imigração acolhedoras do Canadá, em contraste com o período da administração Trump nos EUA, facilitam a atração de talentos globais, como engenheiros que enfrentam dificuldades com vistos americanos.

A localização estratégica de Toronto permite acesso rápido a grandes mercados como Nova York e Washington. Além disso, a cidade oferece um custo de vida mais acessível e menor rotatividade de funcionários do que o Vale do Silício. Ray Reddy, fundador de startup e ex-vice-presidente da Shopify, observa que em Toronto os profissionais são mais focados na missão da empresa. Nick Frosst complementa que a diversidade da cidade evita a "monocultura" tecnológica, estimulando inovações que fogem do óbvio.

Impacto econômico e soberania tecnológica

O setor digital contribui com mais de 140 bilhões de dólares para o PIB do Canadá. Hinton defende que os lucros gerados pela IA devem ser tributados localmente para apoiar trabalhadores que possam ser impactados pela automação. A independência tecnológica também se tornou uma vantagem comercial; a Cohere registrou aumento na procura após restrições de exportação impostas pelos EUA a modelos da Anthropic. Exemplo dessa força é a Waabi, de Raquel Urtasun, que captou US$ 1 bilhão em financiamento, a maior rodada da história do país. Para Urtasun, o que importa aos investidores é a liderança em grandes mercados, independentemente de a sede ser no Canadá ou na Califórnia.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/inteligencia-artificial/esta-cidade-e-um-dos-polos-de-ia-mais-importantes-do-mundo-e-nao-e-onde-v/

Compartilhar