O cenário do mercado de trabalho brasileiro destaca a dinâmica entre os trabalhadores empregados e o contingente crescente de empreendedores e autônomos. As políticas da atual gestão do governo Lula têm focado majoritariamente nos profissionais que trabalham para empresas ou patrões, contemplando medidas como aumentos reais do salário mínimo, a proposta de isenção do Imposto de Renda até 5.000 reais voltada para a folha CLT e a mobilização pela aprovação do fim da escala 6x1. Ao mesmo tempo, tanto o presidente Lula quanto Flávio Bolsonaro buscam atender às novas demandas de uma classe média transformada pelo avanço do empreendedorismo e de atividades por plataformas, como motoristas e entregadores.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do IBGE, atualizados até o segundo trimestre de 2026, mostram que os empregados com carteira assinada continuam como a maior maioria e nunca tiveram um contingente tão expressivo, somando 39 milhões de brasileiros. No entanto, a expansão dessa categoria foi de 15% desde 2012, ficando atrás do ritmo de crescimento dos trabalhadores por conta própria e dos empregadores.
O grupo de trabalhadores por conta própria registrou alta de praticamente 30% desde 2012, o maior salto entre as principais categorias do IBGE, alcançando o recorde de 26 milhões de pessoas. A categoria de empregadores, que abrange donos de pequenas a grandes empresas, avançou 27% no mesmo período e chegou a 4,3 milhões de pessoas. Em contrapartida, o grupo de empregadas e empregados domésticos recuou 9% na mesma base de comparação.
Atualmente, os trabalhadores por conta própria representam 25% da força de trabalho total, superando os cerca de 22% registrados em 2012. Somando essa parcela à categoria de empregadores, a proporção chega a 29%, comparado a cerca de 26% em 2012.
Um diferencial apontado nos dados estatísticos é que esta é a primeira vez em que a participação dos autônomos se mantém em patamares elevados — equivalentes aos 25% de 2018 e 2019 e próximos aos recordes de 27% atingidos durante a pandemia em 2020 e 2021 — mesmo com a taxa de desemprego em baixa, rondando os 5% e registrando os menores patamares históricos. Nos momentos de pico anteriores, o país enfrentava crises econômicas severas, com desemprego de 11% a 14%, o que forçava a busca por informalidade devido à escassez de vagas com carteira assinada, cenário em que a participação dos postos CLT chegou a recuar para 38% e registrar mínimas históricas de 36%. Hoje, com o desemprego baixo, os postos CLT responderam voltando a representar 38% da força de trabalho, evidenciando que a alta contínua dos autônomos pode refletir uma escolha profissional e não apenas falta de alternativas.
