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Tradição do pescado movimenta economia e une rio, mar e tanques no Espírito Santo

A tradição e a economia do pescado no Espírito Santo conectam rios, mar e tanques, impulsionadas pelo cooperativismo, pela aquicultura e pela pesca artesanal.

Redação•10 de out. de 2026, 05:30
Tradição do pescado movimenta economia e une rio, mar e tanques no Espírito Santo
Imagem: site

Tradição do pescado movimenta economia e une rio, mar e tanques no Espírito Santo

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A cadeia produtiva do pescado no Espírito Santo conecta tradições ancestrais, a pesca em alto-mar e a aquicultura em tanques, movimentando a economia estadual. O impacto da atividade abrange desde comunidades indígenas, como a Aldeia Piraquê-Açu em Aracruz — onde o cacique Kara'í Perú e a pajé Keretxu Emdey realizam orações em guarani pelas águas —, até a produção rural na Região Serrana e a atuação de cooperativas e órgãos governamentais.

Segundo relatos da comunidade indígena, o Rio Piraquê-Açu sofreu transformações profundas associadas por moradores ao desastre de Mariana em 2015, levando à interrupção da pesca local e à busca por alternativas como a criação de peixes em tanques e a compra de pescados externos. A relação entre a alteração ambiental e o desastre, contudo, ainda carece de estudos ambientais definitivos.

Organização e impacto do setor pesqueiro

O setor reúne milhares de profissionais autônomos e pequenos produtores. De acordo com o painel do Registro Geral da Atividade Pesqueira do Ministério da Pesca e Aquicultura, o Espírito Santo conta com 51.288 pescadores e pescadoras, sendo 51.004 de perfil artesanal, além de 1,3 mil embarcações registradas. O Sindicato dos Pescadores do Estado do Espírito Santo (Sindipesca-ES), representado por Rafael Viola, aponta que o desafio é unir a cadeia fragmentada por meio de iniciativas como o projeto Pesca Mais ES e a tradicional Semana do Pescado, evento que movimenta cerca de R$ 7,5 milhões e comercializa cerca de 200 toneladas de pescados anualmente.

A profissionalização do setor é exemplificada por trajetórias como a de Ianca de Oliveira Silva Lima, estudante de 30 anos de Engenharia de Pesca no Ifes de Piúma e proprietária de uma peixaria. Vinda de uma família de pescadores e peixeiros, ela busca unir o conhecimento acadêmico ao suporte prático para a classe trabalhadora.

Aquicultura e o papel do cooperativismo

Na aquicultura, a produção de peixes em sistemas controlados registrou cerca de 7,18 mil toneladas em 2025, conforme dados do IBGE citados pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), movimentando R$ 85 milhões. Desse volume, 99% correspondem à criação de tilápia.

Em Domingos Martins, produtores como o médico-veterinário Frederico Sassemburg Pereira utilizam a piscicultura como fonte de renda complementar na propriedade da família, que conta com tanques para produção de cerca de 20 toneladas anuais. A sustentabilidade e a previsibilidade do negócio são garantidas pela participação na Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram).

Segundo o presidente da Coopram, Darli Schaefer, a entidade fundada em 2007 reúne mais de 700 cooperados, dos quais cerca de 200 cultivam tilápia. A cooperativa fornece insumos como ração com pagamento atrelado ao ciclo de venda, garante a compra da produção e investe em estruturas de beneficiamento. A instituição destinou R$ 12 milhões a uma nova unidade de filetadora, com capacidade atual de processar três toneladas diárias e metas de alcançar 20 toneladas por dia no futuro.

Apoio governamental e perspectivas

O secretário da Seag, Enio Bergoli, destacou que o estado apoia o setor por meio de assistência técnica, financiamentos com juros subsidiados pelo Fundo Social de Apoio à Agricultura Familiar (Funsaf) — que destinou R$ 2,5 milhões para organizações da pesca artesanal —, e a inclusão do filé de tilápia na merenda escolar.

Os números consolidados do setor no estado incluem:

  • 51 mil pescadores registrados no Espírito Santo
  • 7,1 mil toneladas produzidas pela aquicultura em 2025
  • R$ 85 milhões movimentados pela aquicultura
  • 99% da aquicultura voltada à tilápia
  • 1,3 mil embarcações de pesca registradas
  • R$ 12 milhões investidos pela Coopram em nova unidade
  • 20 toneladas/dia como meta de processamento da cooperativa

Fonte: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/10/10/da-oracao-a-rede-tradicao-do-pescado-conecta-rio-mar-e-tanques-e-movimenta-a-economia-no-es.ghtml

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