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Economia

Treasury de 10 anos atinge 5,1% pela primeira vez em quase duas décadas

Rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos chegou a 5,11% na quarta-feira, impulsionado por dados econômicos fortes e preocupações inflacionárias.

Redação•24 de set. de 2026, 14:12
Treasury de 10 anos atinge 5,1% pela primeira vez em quase duas décadas
Imagem: site

Treasury de 10 anos atinge 5,1% pela primeira vez em quase duas décadas

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O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, conhecido como Treasury, disparou na quarta-feira (23) e alcançou o patamar de 5,11%, registrando o maior nível desde 2007 e o mais alto do ano. O avanço de 15 pontos-base foi impulsionado por novos dados que apontam forte atividade econômica nos Estados Unidos e por crescentes preocupações em torno da inflação.

O indicador econômico é considerado fundamental por influenciar diretamente o custo de financiamentos de veículos, hipotecas e empréstimos voltados para empresas. Os rendimentos sobem quando os preços dos títulos caem, refletindo as projeções dos investidores em relação aos rumos da inflação e da taxa de juros do Federal Reserve (Fed).

Dados divulgados pela S&P Global indicam que a atividade empresarial norte-americana em setembro acelerou para o ritmo mais rápido registrado desde julho de 2021. Simultaneamente, os custos de insumos subiram devido à alta nos preços de energia, gerando apostas de que o Fed poderá continuar elevando os juros para conter a inflação diante de uma economia robusta. Segundo a ferramenta CME FedWatch, as probabilidades de um aumento de juros em outubro passaram de 55% para 66%.

Durante as negociações de quarta-feira, o Treasury de 10 anos chegou a tocar 5,14% antes de fechar em 5,11%. Outros vencimentos também registraram altas expressivas:

  • O Treasury de 30 anos avançou 11 pontos-base, atingindo 5,4%, o maior nível intradia desde 2007 e o maior fechamento desde 2004.
  • O Treasury de dois anos saltou cerca de 16 pontos-base, alcançando 4,9%, o patamar mais alto desde 2024.
  • O Treasury de cinco anos superou a marca de 5% pela primeira vez desde 2007, na sequência de um leilão regular.

“No geral, foi uma leitura muito mais forte do que o esperado para a atividade empresarial nos EUA, o que implica ampla margem para que tanto as taxas de política monetária quanto os rendimentos do Treasury sigam subindo no curto prazo”, avaliou Vail Hartman, estrategista de taxas dos EUA no BMO Capital Markets.

Impacto do petróleo e tensões geopolíticas

A alta nos rendimentos também foi influenciada pelo avanço dos preços do petróleo no mercado global. O contrato de Brent para entrega imediata subiu 3,86% e fechou a US$ 103,08 por barril, após registrar cinco sessões consecutivas de queda. Investidores seguem monitorando os desdobramentos no Oriente Médio e avaliando se as interrupções no fluxo de petróleo serão persistentes ou temporárias.

Durante discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não vai se curvar aos Estados Unidos em meio às tensões no Estreito de Ormuz, declarando que Teerã não permitirá que Washington utilize o canal estratégico para impor agressões ou insegurança.

“Hoje foi uma tempestade perfeita alimentando a disparada nos rendimentos dos títulos ao longo de toda a curva”, pontuou Chip Hughey, diretor-gerente de renda fixa da Truist Advisory Services. O movimento no mercado de títulos e de energia pressionou as bolsas americanas, resultando em quedas de 0,75% no S&P 500 e de 1,1% no Nasdaq Composite.

Ações do Tesouro e perspectivas

Com o choque energético provocado pela guerra com o Irã e os sinais de resiliência econômica, o cenário mudou em relação ao início do ano, quando bancos de Wall Street projetavam cortes de juros pelo Fed em 2025. O banco central americano elevou os juros no mês, e o Treasury de 10 anos, que era negociado a 4,15% no começo do ano, subiu para 5,11%.

“Isso é o mercado nos dizendo que entramos em um genuíno ciclo de reaperto”, afirmou Tony Miano, analista de estratégia de investimentos globais do Wells Fargo Investment Institute.

Para tentar conter a alta dos rendimentos, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma nova recompra de até US$ 6 bilhões programada para quinta-feira. A medida faz parte de uma série ampliada de recompras autorizada pelo secretário Scott Bessent para permitir operações até o triplo do tamanho padrão de US$ 2 bilhões. No entanto, especialistas ponderam que o volume não é suficiente para alterar as forças fundamentais de um mercado de Treasury superior a US$ 30 trilhões.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/treasury-de-10-anos-atinge-51-pela-1a-vez-em-19-anos/

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