Acordo histórico visa recompor a Reserva Estratégica de Petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (30) que o petróleo proveniente do recente acordo com a Venezuela será utilizado para reabastecer a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR). O estoque norte-americano foi drasticamente reduzido nos últimos anos devido a interrupções no fornecimento global e à necessidade de conter a alta nos preços dos combustíveis. Trump utilizou suas redes sociais para declarar que o processo de recomposição começará em breve, descrevendo o recurso como um "presente da Venezuela para o povo dos Estados Unidos".
Atualmente, a SPR detém cerca de 290 milhões de barris, o nível mais baixo em 44 anos. Essa redução ocorreu durante as gestões de Biden e do próprio Trump, em resposta a conflitos como a invasão da Ucrânia pela Rússia e tensões com o Irã. Embora o anúncio gere expectativas, ainda não há clareza sobre a velocidade com que o petróleo venezuelano chegará às reservas ou trará benefícios imediatos aos motoristas americanos.
Detalhes do pacto bilateral de 25 anos
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou que o acordo energético terá validade de 25 anos. O objetivo central é elevar a produção de petróleo bruto para 1,5 milhão de barris por dia (bpd). O projeto prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos estratégicos e oito novos blocos de exploração. Rodríguez classificou o pacto como histórico, afirmando que ele ajudará a reativar a economia venezuelana e aumentar a receita do governo, mantendo a soberania sobre os recursos naturais.
Estima-se que o acordo possa gerar US$ 209 bilhões em receita para o Estado venezuelano, considerando um preço de referência de US$ 65 por barril. Desse valor, aproximadamente US$ 19 de cada barril produzido seriam destinados diretamente à Venezuela. Trump detalhou que os EUA garantiram o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas venezuelanas por meio de parcerias com empresas privadas, como a Chevron, que deve integrar suas joint ventures ao novo regime.
Desafios e contexto político
Apesar do vasto potencial das reservas venezuelanas — as maiores do mundo —, a indústria local produz apenas 1,25 milhão de bpd após anos de subinvestimento e sanções. A revitalização do setor exigirá obras significativas de infraestrutura antes que a produção aumente substancialmente. No cenário político, o anúncio foi recebido com protestos por grupos pró-governo em Caracas, que se manifestaram contra a presença dos EUA no país. Paralelamente, autoridades venezuelanas se preparam para assinar novos direitos de exploração com empresas americanas na próxima semana.
