O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para tentar conter os preços do diesel nos Estados Unidos, que se aproximam de recordes históricos. O decreto suspende restrições ao uso do chamado "diesel vermelho", que é mais barato e isento de impostos, mas tradicionalmente restrito a aplicações fora de estrada, como em tratores e equipamentos industriais. A medida foi apresentada durante um evento de campanha no Nebraska.
De acordo com a Casa Branca, a determinação orienta o Internal Revenue Service a suspender, até o final do ano, as penalidades pelo uso do diesel tingido em rodovias e a adiar a cobrança do imposto federal de consumo. As obrigações fiscais, contudo, não são canceladas permanentemente, mas adiadas para o próximo ano, embora o governo estude formas de perdoá-las por meio de legislação. O texto também incentiva governos estaduais a adotarem políticas semelhantes.
A alta histórica nos valores do combustível foi impulsionada pela guerra no Irã, além de ataques a refinarias russas e restrições de exportação impostas pela China. Segundo dados da AAA, o preço do diesel subiu de US$ 3,76 por galão antes do conflito para um pico de US$ 6,53 em 22 de setembro, registrando média de US$ 6,32 na terça-feira. No cenário rodoviário, a taxação federal é de 24,4 centavos por galão, enquanto os impostos estaduais alcançam uma média de 35,5 centavos.
Especialistas e operadores do setor demonstraram cautela quanto aos impactos da medida. John Tirado, administrador de uma empresa de transporte em Nova Jersey, classificou a ação como um "curativo" que chega com atraso. Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo do GasBuddy, apontou que viabilizar o uso do diesel tingido pode ser complexo na prática diante da travessia de fronteiras estaduais. Já Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, avaliou que a medida gera economia no curto prazo, mas não soluciona o problema estrutural de escassez global de refinarias.
