O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou duras críticas ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, neste domingo (18). A manifestação ocorreu após Kiev realizar um dos maiores ataques com drones contra o território russo neste ano, na noite de sábado (17), atingindo um importante terminal petrolífero e desafiando exigências do governo americano para que o país interrompesse ofensivas contra a infraestrutura da Rússia.
Em postagem na rede social Truth Social, Trump declarou que Zelensky “não quer acabar com essa guerra, e provavelmente nunca quis”. O republicano também argumentou que não pretende adotar medidas que possam afastar a Rússia das negociações de paz, mencionando acreditar que há progressos em andamento. “Estou em processo de negociação de paz na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e não quero fazer nada que, de forma imprudente, afaste a Rússia da mesa de negociações”, escreveu.
As tensões entre Washington e Kiev têm se intensificado, alimentando receios na Ucrânia sobre uma possível perda de apoio essencial às vésperas de mais um inverno rigoroso sob bombardeios. Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC News, Zelensky afirmou que um alinhamento dos EUA com a Rússia seria um “erro histórico”. Apesar das divergências, o líder ucraniano relatou ter conversado no domingo com o enviado dos EUA, Steve Witkoff, e com o genro de Trump, Jared Kushner, dentro de uma dinâmica de comunicação voltada para o objetivo da paz.
Ataques de longo alcance e danos na Rússia
O Ministério da Defesa da Rússia informou que 1.015 drones ucranianos foram abatidos entre a noite de sábado e o domingo em várias regiões do país. Entre os alvos esteve o Terminal Petrolífero de São Petersburgo, infraestrutura com capacidade de movimentar até 12,5 milhões de toneladas anuais. A empresa ucraniana Fire Point, fabricante dos equipamentos empregados na ação, relatou um incêndio no local. Um centro logístico operado pela distribuidora Ozon e um centro de dados da rede social VKontakte também foram atingidos.
Autoridades locais confirmaram que uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas nos episódios, que provocaram danos em residências. Moradores relataram forte impacto e clarões intensos durante as explosões.
Divergências sobre o setor energético e sanções
O recrudescimento das críticas ocorre em meio à deterioração na relação entre os dois líderes. Na semana passada, Trump classificou as ações de Kiev contra refinarias russas como uma “vergonha” e afirmou que Moscou e Ucrânia haviam concordado em cessar ataques energéticos mútuos — alegação não confirmada por nenhuma das partes. Enquanto a Ucrânia retomou os ataques de longo alcance após uma breve suspensão, a Rússia continuou os bombardeios. Autoridades ucranianas apontaram que ataques russos deixaram 11 mortos e quase 50 feridos nas 24 horas anteriores à manhã de domingo, incluindo ofensivas contra instalações de energia na região de Odessa.
Adicionalmente, Trump suspendeu restrições sobre a importação de diesel russo na sexta-feira, utilizando uma autorização especial para isentar o país de sanções econômicas do Congresso. Zelensky criticou a medida, afirmando que ela reforça a agressão russa em um momento de dificuldades de Moscou no campo de batalha.
Zelensky também comentou restrições recentes ao acesso das forças ucranianas ao sistema Starlink, apontando que houve mensagens do governo americano para limitar a velocidade dos drones. A administração Trump negou ter ordenado tais limitações. O líder ucraniano relatou ainda bloqueios temporários no compartilhamento de inteligência com os EUA durante ataques balísticos, embora o acesso tenha sido restabelecido posteriormente, sem aviso prévio para recentes investidas em Kiev.
Questionado sobre declarações anteriores de Trump de que seria mais difícil lidar com ele do que com Vladimir Putin, Zelensky respondeu que prefere parceiros abertos e claros a assassinos sorridentes, acrescentando que espera que Trump mude sua postura em relação a Putin e atue como aliado da Ucrânia.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-critica-zelensky-apos-ataque-ucraniano-a-russia/
