O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta segunda-feira, 3, liderança do Irã de ser “inacreditavelmente dissimulada”, após Teerã negar estar em negociações com Washington, rejeitando falas do republicano de uma nova rodada de diálogos para encerrar a guerra em curso há seis meses, afirmando à imprensa que havia decidido não atacar a república islâmica para retomar a via diplomática.
“Eles pedem uma reunião — alguns diriam que ‘imploram’ por ela —, as conversas começam, com outras já agendadas para um futuro próximo, e eles declaram, aberta e orgulhosamente, que não estão mantendo discussão alguma, que nada está sendo debatido”, escreveu Trump em publicação nas redes sociais.
Após o cessar-fogo alcançado em meados de junho cair por terra com a retomada dos ataques no mesmo mês, havia aumentado o temor de uma nova intensificação dos combates. Trump ameaçou atingir o Irã com “muita força” e, segundo a imprensa americana, cogitava novos alvos, inclusive contra infraestruturas importantes do setor energético. Mas o republicano recuou no sábado ao afirmar que já tinha sobre a mesa um projeto de acordo.
Nesta segunda, no entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã negou qualquer negociação em curso. “Atualmente não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz”, declarou Esmaeil Baqaei durante uma entrevista coletiva.
Ainda assim, os preços do petróleo caíram na manhã de segunda-feira: o barril de Brent, referência internacional, recuava mais de 5%, a US$ 82.
O imbróglio de Ormuz
A estratégica rota marítima, por onde passa um quinto do petróleo e gás consumidos no planeta, é um dos principais obstáculos nos esforços para encerrar o conflito. Após ser atacado por Estados Unidos e Israel, o Irã fechou o estreito em retaliação e passou a abrir fogo contra navios mercantes que tentam atravessar a via sem autorização.
Continua após a publicidadeAntes da guerra, a passagem pelo estreito era livre, mas agora Teerã insiste em manter o controle e cobrar pedágios, algo que o governo dos Estados Unidos rejeita. O cessar-fogo veio abaixo justamente quando a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico da república dos aiatolás, passou a disparar contra embarcações que trafegavam pela chamada “rota de Omã”, mais distante da costa iraniana e não aprovada pelas autoridades do regime.
No domingo, Baqaei declarou à televisão estatal que seu governo estava prestes a fechar um acordo com Omã, nação situada no lado oposto do estreito que compartilha sua gestão, sobre uma nova rota de trânsito em Ormuz.
“Estamos prestes a chegar a um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota do norte nem a do sul —, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança”, declarou. Ele insistiu, no entanto, que o acordo não implicava a reabertura do estreito.
Ameaças versus diálogo
Trump afirmou à imprensa no domingo que as novas conversas com o Irã abordariam a situação em Ormuz e, em última instância, a desnuclearização de Teerã. O programa iraniano de enriquecimento de urânio, não custa lembrar, encabeçava o rol de justificativas de Estados Unidos e Irã para abrir sua incursão — mas o regime dos aiatolás insiste que seu programa é exclusivamente de natureza civil e jamais foi projetado para fabricar bombas.
Continua após a publicidade“Agora, o que estamos fazendo é conversar com eles por meio de negociações. Isso começa amanhã (segunda-feira) à tarde”, disse o americano, sem revelar detalhes sobre o local do encontro ou sobre os participantes.
Trump também disse que tanto o Irã quanto Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar — os três principais parceiros de Washington na região — pediram que ele adiasse os ataques, que, segundo ele, teriam sido “os maiores desde a Segunda Guerra Mundial” se tivessem ido adiante.
A imprensa iraniana negou que Teerã tenha solicitado a Washington que não atacasse o país.
“Troca de pontos de vista”
O deputado iraniano Hassan Qashqavi, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento, informou no domingo 2 que mediadores estavam tentando reativar o memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã estabelecido em junho.
Continua após a publicidadeO acordo não foi concebido como um pacto de paz definitivo, e sim como uma etapa prévia para negociações sobre um acordo integral, embora incluísse dispositivos sobre Ormuz.
“Eles sabem que a questão principal e, na verdade, a chave do assunto neste momento é o tema do Estreito de Ormuz. Então, sim, há uma troca de pontos de vista”, disse Qashqavi.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, escreveu no X (ex-Twitter) que “devemos nos esforçar para obrigar o inimigo a manter o compromisso com aquilo que assinou”.
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