O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (18) que prefere não adotar medidas capazes de afastar a Rússia das tratativas voltadas ao fim da guerra na Ucrânia. Por meio de uma postagem na rede social Truth Social, o mandatário justificou novamente a interrupção de sanções e tarifas contra Moscou e apontou críticas ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a quem responsabilizou por evitar o encerramento do conflito.
Segundo Trump, sua posição sobre as penalidades é direta em razão dos esforços atuais do governo para negociar a paz. O presidente argumentou que assinar a legislação que estabelece as sanções no estágio atual poderia prejudicar as conversas diplomáticas. "Minha decisão sobre a Rússia é muito simples. Estou em processo de negociação da paz na guerra entre Rússia e Ucrânia e não quero fazer nada que, de maneira insensata, afaste a Rússia da mesa de negociações. Grandes avanços estão sendo feitos, e isso inclui as atuais negociações sobre reféns!", afirmou. O chefe do Executivo americano acrescentou que poderá rubricar o texto posteriormente, sem estipular uma data para eventual revisão de postura.
A manifestação pública ocorre após a decisão de Trump, anunciada na sexta-feira (16), de suspender a imposição de tarifas e sanções previstas na Lei Graham. O pacote de medidas previa entrada em vigor na semana seguinte, abrangendo taxas sobre produtos russos e punições a nações compradoras de petróleo e gás da Rússia. No sábado (17), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que o presidente pretende utilizar um prazo de até 60 dias para examinar os reflexos econômicos das restrições tanto na economia americana quanto no cenário global.
Críticas a Zelensky e impacto em refinarias
Na mensagem divulgada no domingo, Trump direcionou críticas aos ataques conduzidos pela Ucrânia contra refinarias de diesel em território russo, argumentando que as ações prejudicam o mercado internacional do combustível e afetam produtores e companhias dos Estados Unidos. Contudo, o presidente omitiu dados numéricos capazes de dimensionar tais efeitos.
"Zelensky está usando refinarias de diesel na Rússia como alvo, sabendo que esses ataques estão prejudicando seriamente os mercados mundiais de diesel, inclusive nos EUA. Agricultores, pecuaristas e empresas de todos os tipos estão sofrendo muito com isso, mas a Rússia, apesar disso, está enviando milhões de barris de diesel ao mundo a preços baixos", escreveu Trump. O líder americano ainda imputou a Zelensky a falta de interesse em finalizar o embate, alegando que um acordo melhor poderia ter sido alcançado anos atrás. Na mesma postagem, citou os aportes financeiros direcionados à Ucrânia por governos europeus e pela gestão do ex-presidente Joe Biden. Em contrapartida, Zelensky reprovou a suspensão das tarifas e advertiu que a decisão pode fortalecer o presidente russo, Vladimir Putin, além de estender a guerra.
Abastecimento de energia e acordo de diesel
A paralisação das sanções coincide com a apreensão do governo dos EUA diante das repercussões de conflitos internacionais no suprimento energético. Marco Rubio apontou no sábado que a guerra ucraniana e os confrontos no Oriente Médio interferem no abastecimento mundial, defendendo um entendimento para expandir a disponibilidade de diesel russo no exterior.
Conforme Trump, a Rússia repassará inicialmente mais de 300 mil toneladas métricas do combustível aos Estados Unidos, com novas entregas programadas para novembro. O secretário de Energia americano, Chris Wright, declarou no domingo que o pacto tem o propósito de incentivar o fim do conflito, negando caráter de suporte econômico a Moscou. Segundo Wright, a elevação das exportações russas de diesel fica condicionada à diminuição das hostilidades com a Ucrânia.
