Durante a Assembleia Geral da ONU, Donald Trump rejeitou a ideia de controlar a inteligência artificial (IA) e declarou que os Estados Unidos vão monitorar de perto o desenvolvimento tecnológico. Em entrevista ao CNN Agora, o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja avaliou o cenário e advertiu sobre os riscos que a IA pode trazer se não for gerenciada adequadamente.
Segundo Igreja, a inteligência artificial atravessa uma mudança expressiva, saindo da IA generativa — focada na criação de textos e imagens a pedido do usuário — para a chamada IA agêntica, que possui a habilidade de executar ações práticas, como criar aplicativos ou efetuar compras. O especialista pontuou que a tecnologia está adquirindo a competência de realizar tarefas de forma autônoma.
Testes executados pela empresa Anthropic revelaram que modelos de IA agêntica conseguiram achar rapidamente falhas de cibersegurança em órgãos e corporações sofisticados, provocando inquietação no mercado. O especialista assinalou que o tema preocupa até mesmo executivos do setor financeiro, citando um alerta do CEO do Goldman Sachs sobre o risco de o uso malicioso desses sistemas provocar um colapso financeiro global. Por conta disso, a Anthropic decidiu não disponibilizar comercialmente alguns de seus modelos mais avançados, limitando o acesso a parceiros escolhidos.
O cenário também evidencia divergências entre lideranças da área. Dario Amodei, CEO da Anthropic, e Sam Altman, CEO da OpenAI, manifestaram apoio a auditorias independentes e regras de segurança para a IA. Em sentido contrário, Donald Trump e o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, posicionaram-se contra frear a disputa pela supremacia tecnológica por meio de regulações.
Para exemplificar a disputa entre Estados Unidos e China, o especialista equiparou a corrida tecnológica à disputa armamentista do século XX, apontando que ambas as potências devem buscar formas de governança para prevenir consequências irreversíveis, a exemplo do ocorrido com as armas nucleares. O especialista relatou que, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, houve negociações mediadas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para estabelecer um canal de comunicação entre os dois países. A meta é instituir um mecanismo de alerta caso governos ou empresas ultrapassem limites na criação de IA.
Enquanto o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a IA precisa permanecer sempre sob controle humano, Trump adotou uma postura divergente, enxergando o avanço tecnológico como uma competição por hegemonia. Para Arthur Igreja, essa disputa global está apenas no início.
