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Trump encurrala Irã, mas regime mantém resistência

O bloqueio e as sanções contra o Irã, liderados pelos EUA, estão surtindo efeito, mas o regime mantém resistência.

Redação•06 de out. de 2026, 11:40
Trump encurrala Irã, mas regime mantém resistência
Imagem: site

Trump encurrala Irã, mas regime mantém resistência

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O bloqueio e as sanções contra o Irã, liderados pelos Estados Unidos, estão surtindo efeito. O sucesso dessas medidas poderá determinar a próxima fase da guerra. As reservas de petróleo do Irã disponíveis para venda estão praticamente esgotadas. Sua produção de petróleo bruto caiu pela metade. A principal fonte de receita do regime está secando. A hiperinflação deixou a economia em ruínas. Donald Trump diz que gasolina cara é 'pequeno preço' por segurança contra Irã.

O Irã não exportou petróleo de seus portos em setembro. Esse foi o primeiro mês em que o Irã não carregou petróleo bruto em navios-tanque desde 2013. O volume de petróleo fora da zona de bloqueio dos EUA despencou para 10 milhões de barris — uma queda em relação aos 100 milhões registrados em julho. Se o Irã continuar encontrando compradores no ritmo atual, poderá ficar sem petróleo bruto para vender até o final de outubro.

Internamente, a situação do Irã não é muito melhor. Sem ter para quem vender o petróleo recém-extraído, seus estoques em terra firme estão se aproximando de máximas históricas, atingindo 70 milhões de barris. A produção de petróleo iraniana caiu para a metade do nível anterior ao conflito: cerca de 2 milhões de barris por dia, volume suficiente apenas para suprir a demanda interna.

A economia do Irã encolheu a uma taxa anual de 10% entre março e junho, segundo dados do governo iraniano. A taxa de inflação anual disparou para 90% no mês passado e registrou uma média de 73% no último ano — o nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial.

O governo iraniano reconheceu que a situação econômica é uma das mais críticas de sua história. Ainda assim, o Irã parece longe de ceder. 'A economia vai muito mal', disse Adnan Mazarei, pesquisador sênior do Peterson Institute for International Economics. 'Mas não existe um ponto mecânico em que se possa dizer que a temperatura corporal do paciente atingiu um nível crítico e que ele vai morrer.'

O regime iraniano desenvolveu redes sofisticadas para combater e burlar as sanções. Apesar do aperto do cerco, a falta de disposição do Irã em ceder sugere que a evasão de sanções continua ocorrendo, afirmou Michelle Brouhard, chefe de políticas e risco geopolítico da Kpler.

Onde há fumaça, pode haver fogo, mas detectar a evasão de sanções é uma tarefa complexa. O Irã pode estar transportando petróleo por via terrestre para o Cazaquistão e a Rússia, ou por via aquática através do Mar Cáspio, sugeriu Charlie Brown, consultor sênior da 'United Against Nuclear Iran'. Além disso, o regime conta com intermediários de confiança em muitos países vizinhos que realizam transações secretas em seu nome — utilizando dólares americanos, criptomoedas ou outros meios — para evitar a detecção.

Independentemente de as nações do Golfo estarem ou não pagando diretamente ao Irã, o custo de manter o 'status quo' e forçar a passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz tornou-se extremamente elevado para todos os envolvidos. A Marinha dos EUA precisa dedicar recursos significativos ao bloqueio e ao seu programa de escolta. Isso custa dezenas de bilhões de dólares aos contribuintes americanos, tudo isso enquanto os preços dos combustíveis permanecem em níveis historicamente elevados.

Esse 'status quo' insustentável pode ser a razão pela qual o Irã tem aguardado pacientemente o fim da administração Trump. O país pode ter perdido sua influência no mercado de petróleo e visto sua economia ser duramente atingida, mas talvez consiga resistir por mais tempo do que a disposição dos Estados Unidos de manter esse rumo (custoso).

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-donald-trump-encurralou-o-ira-mas-o-regime-nao-recua/

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