O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com uma careta ao forte barulho de um avião militar que sobrevoou a base aérea de Andrews, na região metropolitana de Washington, durante a cerimônia de recepção ao presidente da China, Xi Jinping, na quarta-feira, 23. Enquanto o hino nacional americano era executado e Trump prestava continência ao lado do líder chinês, um bombardeiro B-1 cruzou o espaço aéreo. Xi Jinping não apresentou nenhuma reação visível durante a passagem da aeronave, mas o presidente americano enrijeceu a expressão facial devido ao volume elevado do motor.
Em uma demonstração incomum para um chefe de Estado americano, Trump deslocou-se pessoalmente até a escada da aeronave para recepcionar Xi. Ele esteve acompanhado pela primeira-dama, Melania Trump. O líder da China desembarcou acompanhado de sua esposa, Peng Liyuan. O republicano buscou relativizar a assimetria no tratamento diplomático, lembrando que, em sua visita a Pequim realizada em maio, a recepção no aeroporto havia sido conduzida pelo vice-presidente chinês. "Acho que foi um ótimo primeiro contato, acredito que eles gostaram", declarou Trump aos jornalistas na Casa Branca após o evento.
Xi Jinping iniciou uma visita de Estado de três dias na capital norte-americana, marcando a primeira viagem oficial de um líder chinês a Washington em mais de dez anos. Na agenda de discussões constam temas como inteligência artificial, comércio, Taiwan e o conflito no Irã. A programação oficial incluiu ainda um show aéreo militar e a tradicional salva de 21 tiros de canhão em honra ao visitante.
As conversas ocorrem em paralelo aos esforços para conter fricções comerciais e diplomáticas. Horas antes do desembarque, o governo dos Estados Unidos prorrogou por dois meses a trégua tarifária entre as duas maiores economias globais, cujo prazo original vencia em novembro. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou que a distensão econômica foi estendida até 10 de janeiro. "Nossos dois países devem ser parceiros, e não rivais", declarou Xi, conforme veiculado pela agência estatal Xinhua. O presidente chinês destacou que os povos dos dois países possuem intercâmbios históricos e interesses profundamente entrelaçados.
A recepção luxuosa concedida a Xi gerou contestações de alas mais conservadoras e radicais do Partido Republicano, motivadas por informações de que Pequim teria repassado dados de inteligência para investidas do Irã contra militares norte-americanos. O senador republicano Roger Wicker, que preside o Comitê de Serviços Armados do Senado, criticou o evento publicamente, afirmando que o comandante em chefe precisa lembrar que seu convidado é um ditador opressor. Em defesa da articulação diplomática, o secretário de Estado, Marco Rubio, pontuou que os dirigentes das maiores potências militares precisam manter o diálogo, enquanto o subsecretário de Imprensa da Casa Branca, Taylor Rogers, declarou ao canal Spectrum News que o presidente atua em prol dos interesses nacionais do país.
