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Trump planeja utilizar bilhões de barris de petróleo da Venezuela para recompor reservas dos EUA

Donald Trump anunciou planos para usar o petróleo da Venezuela na recomposição da Reserva Estratégica dos EUA, que opera hoje em níveis historicamente baixos.

Redação•31 de ago. de 2026, 11:57
Trump planeja utilizar bilhões de barris de petróleo da Venezuela para recompor reservas dos EUA
Imagem: site

Trump planeja utilizar bilhões de barris de petróleo da Venezuela para recompor reservas dos EUA

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende usar o petróleo da Venezuela para recompor a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos (SPR, na sigla em inglês). Atualmente, essa reserva opera com menos da metade de sua capacidade total, após ter sido fortemente reduzida nos últimos anos. A declaração ocorre poucos dias após Washington anunciar um acordo com Caracas que prevê participação majoritária americana em projetos com acesso a mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas venezuelanas.

Planos para a Reserva Estratégica Nacional

“Uma das coisas que vou fazer com o petróleo venezuelano é encher as Reservas Estratégicas Nacionais”, escreveu Trump em sua rede social no último domingo. O presidente assegurou que o processo de recomposição terá início “muito em breve”. No entanto, a declaração não implica acesso imediato a essas dezenas de bilhões de barris. O acordo anunciado por Trump ainda depende de investimentos significativos, da definição de contratos e estruturas de operação, além da recuperação da infraestrutura petrolífera da Venezuela.

Especialistas ouvidos pela Reuters questionam o tempo necessário para que o pacto resulte em volumes relevantes de petróleo. Segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), o estoque da reserva estratégica americana estava em 289,7 milhões de barris na semana encerrada em 21 de agosto. Este é o menor nível desde o início dos anos 1980, representando cerca de 40% da capacidade autorizada do sistema, que é de 714 milhões de barris.

Histórico de redução e o papel da SPR

A diferença em relação ao início do governo de Joe Biden é notável. Em janeiro de 2021, a SPR armazenava mais de 638 milhões de barris, volume que caiu para menos de 395 milhões ao final daquele mandato. Uma parte relevante dessa redução foi uma resposta dos EUA à alta dos preços de energia causada pela invasão da Rússia na Ucrânia, quando Washington liberou grandes volumes para aumentar a oferta e conter a pressão sobre os combustíveis.

A reserva funciona como um seguro contra interrupções no abastecimento. O petróleo fica armazenado em cavernas subterrâneas de sal em quatro instalações na costa do Golfo do México, podendo ser liberado em emergências. Sua capacidade total autorizada é de 714 milhões de barris.

Detalhes do acordo com a Venezuela

O anúncio sobre a SPR deriva de um acordo mais amplo entre Washington e Caracas. Trump afirmou que os EUA obtiveram controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas da Venezuela — o equivalente a um quinto do estoque do país, que detém as maiores reservas mundiais. O plano prevê uma parceria entre o governo americano, o governo venezuelano e empresas privadas para desenvolver 17 campos de petróleo.

A administração Trump estima que a iniciativa possa atrair US$ 100 bilhões em investimentos, ampliando a produção venezuelana, hoje limitada pela deterioração da infraestrutura. A Venezuela estima que o projeto gere US$ 209 bilhões em receitas tributárias. A presidente interina Delcy Rodríguez apresentou o pacto como uma tentativa de reconstruir a indústria nacional, embora o modelo enfrente críticas pela falta de transparência. A Reuters informou que especialistas e advogados questionam a legalidade do acordo, que não passou por processo competitivo e ocorreu paralelamente a uma reforma na legislação petrolífera local.

Contexto geopolítico e pressão nos preços

A iniciativa surge em um momento de preocupação com o preço dos combustíveis devido à guerra entre EUA e Irã e instabilidades no Estreito de Ormuz. Nesta segunda-feira, o Brent superou US$ 90 por barril após novos ataques americanos contra alvos iranianos. Nesse cenário, a Venezuela ganha importância estratégica por sua proximidade geográfica, facilitando o abastecimento das refinarias americanas adaptadas para processar petróleo pesado.

Apesar do potencial, a distância entre as reservas anunciadas e o óleo disponível é grande. Os 65 bilhões de barris representam recursos no subsolo, não um estoque imediato. O volume anunciado por Trump é cerca de 90 vezes superior à capacidade física de armazenamento da SPR. Assim, o anúncio reflete uma promessa de mudança na trajetória energética dos EUA, dependendo de quanto petróleo a Venezuela conseguirá produzir e enviar nos próximos anos.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/trump-diz-ja-ter-destino-para-bilhoes-de-barris-de-petroleo-da-venezuela/

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