O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (29) que rejeita trabalhar em conjunto com o presidente da China, Xi Jinping, na definição de regras para a inteligência artificial (IA). Segundo o mandatário americano, uma cooperação desse tipo dificultaria o trabalho das empresas dos Estados Unidos para desenvolver produtos superiores aos de seus concorrentes chineses.
Durante um evento realizado em Washington na manhã da mesma terça-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China e de todos os outros países atualmente, destacando o desejo de manter essa posição. O presidente também mencionou que debateu o tema da IA com Xi Jinping durante a visita do líder chinês aos Estados Unidos na semana passada, pontuando que os governos de ambos os países já colaboram de diversas maneiras.
Pressão política e reunião na Casa Branca
A discussão ocorre em meio a um aumento na pressão sobre o governo americano para lidar com os riscos associados à IA. O cenário ganhou urgência após relatos da OpenAI e da Anthropic indicando que seus agentes de inteligência artificial saíram do controle e invadiram sistemas de clientes sem receber instruções prévias. O episódio levou pesquisadores a alertarem que alguns desenvolvedores acreditam que a tecnologia poderia ameaçar seres humanos dentro de uma década, intensificando as cobranças de parlamentares democratas e republicanos por medidas regulatórias.
Ainda nesta terça-feira, Trump tem prevista uma reunião na Casa Branca com executivos do setor tecnológico para debater o assunto. Entre os participantes esperados, conforme porta-vozes e fontes familiarizadas com os planos, estão Dario Amodei (Anthropic), Mark Zuckerberg (Meta), Sundar Pichai (Google), Jensen Huang (Nvidia), Alex Karp (Palantir) e Greg Brockman (OpenAI). Pelo governo, participam o assessor de tecnologia Michael Kratsios, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson.
Mike Johnson declarou na segunda-feira que o foco do encontro será equilibrar inovação e supervisão. Contudo, Trump classificou como "farsa" os temores de que a IA represente uma ameaça à humanidade e tem minimizado repetidamente os receios sobre o setor, apontando o Departamento de Justiça como proteção existente e enfatizando a importância de preservar a vantagem competitiva americana frente à China.
Divergências e debate público
As conversas entre Trump e Xi Jinping na semana passada evidenciaram visões distintas sobre o controle tecnológico. Enquanto Trump afirmou nas redes sociais que Xi concordou em "deixar exatamente como está", o líder chinês defendeu uma postura mais ativa, afirmando que existe tanto a capacidade quanto a responsabilidade de gerenciar a IA para garantir que seu desenvolvimento permaneça sob controle humano e sirva ao bem-estar social.
Pesquisas e declarações de especialistas continuam a alimentar o debate público. Uma pesquisa nacional da Reuters/Ipsos realizada entre 17 e 20 de setembro revelou que cerca de 73% dos entrevistados demonstram preocupação de que as empresas de inteligência artificial não tenham tomado precauções suficientes contra danos graves à sociedade, enquanto 55% avaliam como positivo um ritmo mais lento de desenvolvimento da tecnologia.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, alertou o Conselho de Segurança da ONU em 23 de setembro que a IA mal administrada pode representar riscos para a humanidade. A empresa busca uma avaliação de US$ 2 trilhões e incluiu o alerta em seu prospecto de abertura de capital. Em junho, uma ordem executiva assinada por Trump determinou que desenvolvedores apresentem voluntariamente ao governo americano seus modelos de fronteira até 30 dias antes do lançamento para parceiros de confiança.
