A administração do presidente Donald Trump tem recorrido a argumentos de segurança nacional para remodelar partes de Washington e estabelecer um perímetro de segurança ao redor do chefe de Estado. O conceito tem sido utilizado para justificar ações como tarifas, deportações, ataques contra embarcações ligadas ao narcotráfico e propostas expansionistas.
Entre as principais mudanças, o projeto de demolição na Ala Leste da Casa Branca evoluiu de uma reforma para a construção de uma instalação militar subterrânea. A obra foi justificada pela necessidade de segurança para solicitar cerca de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) dos contribuintes, após promessa anterior de financiamento privado. A Suprema Corte aceitou o argumento de que a estrutura e a altura do projeto seriam cruciais para proteger a base contra impactos cinéticos, embora o presidente da Suprema Corte, John Roberts, tenha votado de forma dissidente ao apontar que o Congresso não autorizou a obra nem os recursos.
O envio de tropas da Guarda Nacional para patrulhar áreas turísticas foi prorrogado até o final do mandato de Trump, gerando um custo adicional estimado em US$ 1,4 bilhão (aproximadamente R$ 7 bilhões) pelo Pentágono. Além disso, o governo planeja construir um arco do triunfo que servirá como posto de franco-atiradores, depósito de armas e base para drones, conforme publicação de Trump nas redes sociais. A Administração Federal de Aviação (FAA) aprovou a construção da estrutura de cerca de 76 metros, afirmando que ela não representa risco para o tráfego aéreo do Aeroporto Nacional Ronald Reagan.
A segurança nacional também impactou a relação com a imprensa. O Departamento de Justiça defendeu perante a tribunal a decisão de expulsar da Casa Branca jornalistas da CNN, da MSNBC e do Politico, argumentando que a cobertura jornalística sobre o salão de baile e a guerra com o Irã representava um risco à segurança nacional. Uma audiência judicial sobre o caso foi marcada para a quarta-feira (23).
No entorno da residência presidencial, zonas de segurança foram ampliadas e cercadas. O parque Ellipse e uma parte do National Mall foram fechados, enquanto a Lafayette Square recebeu grades. O Serviço Secreto propôs a instalação permanente de uma cerca ao redor do parque Lafayette e informou que áreas como o Ellipse e a praça deveriam permanecer fechadas até o final do mês devido à visita do líder chinês Xi Jinping.
Especialistas e autoridades questionam a necessidade de tais estruturas na capital. John Miller, analista-chefe de segurança e inteligência da CNN, apontou que a lei americana proíbe o uso do Exército contra cidadãos e destacou a presença de equipes da SWAT na cidade. A administração Trump também sinalizou planos para aumentar os gastos militares para cerca de US$ 1,5 trilhão com o objetivo de financiar o sistema de defesa antimísseis denominado "Cúpula Dourada", embora o Congresso ainda não tenha aprovado a medida.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-washington-fortaleza/
