O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta quinta-feira (24) que a greve dos trabalhadores dos Correios não é abusiva, após duas semanas de paralisação. A decisão afasta, ao menos por enquanto, o risco de encerramento imediato do movimento por determinação judicial e representa uma vitória para os sindicatos da categoria.
O julgamento foi retomado no período da tarde, após ter sido suspenso na segunda-feira (21) pelo ministro Vieira de Mello Filho, que presidiu a sessão. O magistrado concedeu prazo de 48 horas para que as entidades sindicais analisassem documentos apresentados recentemente ao processo pela empresa. Segundo o ministro, os elementos fornecidos pelos Correios não foram suficientes para caracterizar a abusividade da greve, ponderando que ocorrências pontuais não demonstraram bloqueio efetivo das atividades ou descumprimento de ordens judiciais.
A decisão foi tomada por maioria de votos. Ficaram vencidos a ministra Maria Cristina Peduzzi e os ministros Ives Gandra da Silva Martins Filho e Caputo Bastos, que votaram pela declaração de abusividade da paralisação. Os magistrados também autorizaram de forma unânime a compensação dos dias parados, prevalecendo integralmente o voto da relatora no dissídio coletivo.
A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) informou que a continuidade ou o fim da greve será definido por assembleias dos trabalhadores convocadas para esta quinta-feira.
Reivindicações e impasses
A paralisação teve início após a falta de acordo nas negociações entre a estatal e os funcionários. O principal entrave é o plano de saúde para funcionários, aposentados e dependentes, que envolve mais de 170 mil pessoas. De acordo com a Findect, as conversas avançaram nos demais pontos do Acordo Coletivo de Trabalho, mas o modelo do plano de saúde permanece como único obstáculo para a conclusão do acordo.
Os trabalhadores reivindicam que os Correios continuem atuando como mantenedores do benefício no modelo atual, argumentando que uma alteração pode elevar os gastos das famílias. A federação destacou que a categoria continua aberta ao diálogo e já pediu formalmente a retomada das negociações com a empresa.
O plano de saúde também está ligado a uma disputa anterior. Em 26 de janeiro, uma decisão liminar suspendeu quatro cláusulas do acordo coletivo anterior: Ticket Extra, Plano de Saúde, Trabalho em Dia de Repouso e Gratificação de Férias de 70%.
Posição dos Correios
A estatal acionou a Justiça no dia seguinte ao início da greve, solicitando que a paralisação fosse declarada abusiva e que os serviços fossem mantidos. Segundo os Correios, as agências seguem abertas e funcionando normalmente.
Para minimizar os impactos da greve e preservar o fluxo logístico para os clientes, a empresa informou que adotou um plano de ação envolvendo a mobilização de servidores administrativos para apoiar as atividades operacionais e a realização de mutirões de entrega.
Fonte: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/09/24/greve-nos-correios-tst.ghtml
