A Ucrânia realizou, na noite de sábado (17), um de seus maiores ataques com drones contra o território russo em 2026, atingindo um relevante terminal petrolífero e desafiando diretamente a exigência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o país interrompesse as ofensivas contra a infraestrutura energética de Moscou. As tensões bilaterais têm se intensificado, alimentando o temor em Kiev de perda de apoio essencial diante de mais um inverno rigoroso sob investidas russas.
O Ministério da Defesa da Rússia declarou ter interceptado e abatido 1.015 drones ucranianos entre a noite de sábado e o domingo (18) em diversas regiões do país. De acordo com autoridades russas, um dos alvos alcançados foi o Terminal Petrolífero de São Petersburgo, com capacidade anual de até 12,5 milhões de toneladas. A empresa ucraniana Fire Point, fabricante dos drones empregados na operação, confirmou um incêndio nas instalações. Um centro logístico na mesma cidade também foi alvo, segundo a distribuidora russa Ozon. Autoridades locais relataram uma morte, cinco feridos e danos a residências.
A ofensiva ocorre em meio ao desgaste na relação entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e Donald Trump. Na semana passada, Trump classificou as ações de Kiev contra refinarias russas como uma “vergonha” e afirmou que Rússia e Ucrânia haviam concordado em pausar os ataques à infraestrutura energética mútua — tentativa da Casa Branca de conter os preços do petróleo e diesel antes de eleições de meio de mandato. Contudo, nem Kiev nem Moscou confirmaram a existência de tal acordo, e a Rússia manteve investidas contínuas contra cidades e instalações energéticas ucranianas.
Segundo o governo da Ucrânia, nos ataques russos com mísseis e drones registrados nas 24 horas anteriores à manhã de domingo, 11 pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas, incluindo um ataque de grande escala contra setores de energia na região de Odessa. Zelensky utilizou as redes sociais para criticar a postura de Washington e a suspensão de sanções à Rússia promovida por Trump, que isentou Moscou de penalidades econômicas na sexta-feira (16). “Desde que o presidente americano anunciou, há uma semana, uma trégua no setor energético, a Rússia atacou deliberadamente os setores de energia, petróleo e gás da Ucrânia 76 vezes”, escreveu Zelensky.
O presidente ucraniano também apontou que o acesso das Forças Armadas da Ucrânia aos sistemas Starlink e Starshield, vitais para a orientação de drones e interceptação de equipamentos inimigos, continua restrito em território ucraniano, limitando a velocidade operacional e a defesa antiaérea, embora o bloqueio não se aplique na União Europeia. A administração Trump nega impor tais restrições.
