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Um ano após anúncio, plano de Donald Trump não encerra conflito em Gaza e permanece travado

Um ano após a apresentação do plano de Donald Trump para Gaza, a iniciativa está travada. Conflitos pontuais, restrições humanitárias e impasses sobre o desarmamento do Hamas mantêm o cenário de crise na região.

Redação•07 de out. de 2026, 06:30
Um ano após anúncio, plano de Donald Trump não encerra conflito em Gaza e permanece travado
Imagem: site

Um ano após anúncio, plano de Donald Trump não encerra conflito em Gaza e permanece travado

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Um ano após a apresentação do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar o conflito em Gaza, a iniciativa continua paralisada. Enquanto Israel mantém ataques frequentes e passa a controlar cerca de dois terços do território destruído, a população palestina enfrenta cenários de extrema dificuldade.

A fase inicial da proposta permitiu a concretização de um cessar-fogo em 10 de outubro de 2025, assegurando a soltura dos últimos reféns levados nos ataques do Hamas contra Israel em 2023, além de centenas de detidos e prisioneiros palestinos sob custódia israelense. No entanto, metas adicionais como a retirada das forças de Israel, o desarmamento do Hamas e a reconstrução da região seguem distantes de serem alcançadas.

O andamento do cessar-fogo e a atuação militar

Apesar de o conflito em larga escala ter sido interrompido, os bombardeios israelenses persistiram. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, pelo menos 1,4 mil palestinos perderam a vida desde a trégua de outubro, incluindo mulheres e crianças, embora o levantamento não especifique quantos eram combatentes. As Forças Armadas de Israel sustentam que as ofensivas têm como alvo o Hamas, acusando o grupo de tentar se rearmar e articular novas ações, ao passo que o Hamas nega as acusações. Segundo o Exército israelense, cinco soldados israelenses foram mortos em combates ou por militantes palestinos desde o cessar-fogo.

Originalmente, a fase inicial estipulava que as tropas de Israel recuariam para uma faixa denominada “linha amarela”, mantendo o domínio sobre 53% do enclave. Contudo, o Exército expandiu a zona sob seu controle para cerca de dois terços do território. O deslocamento forçou mais palestinos a deixarem suas origens, comprimindo os dois milhões de habitantes em uma faixa costeira reduzida onde abrigam-se em tendas e estruturas danificadas. Milícias palestinas contrárias ao Hamas e apoiadas por Israel utilizam a área controlada pelas forças israelenses para realizar investidas contra posições do grupo.

Ajuda humanitária e crise alimentar

Organizações humanitárias apontam que a assistência enviada permanece insuficiente. Dados da Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC) indicam que mais de 1,2 milhão de pessoas continuam enfrentando insegurança alimentar aguda na região. Um relatório de agosto revelou que uma média de 227 caminhões diários ingressou em Gaza entre o início do cessar-fogo e o encerramento de maio, volume inferior a metade da meta de 600 caminhões estipulada pelo plano. A Coordenação de Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT), órgão militar israelense, não comentou de imediato os dados do IPC, mas o governo de Israel assegura que cerca de 600 caminhões com suprimentos comerciais e humanitários entram diariamente, cumprindo as obrigações e atendendo às necessidades locais. Entidades humanitárias, por outro lado, denunciam que Israel bloqueia a entrada de itens fundamentais, como óleo para motores, hastes metálicas para tendas e peças de reposição, sob a justificativa de possível uso militar pelo Hamas.

Situação do desarmamento e da administração de Gaza

Embora o Hamas tenha sinalizado disposição para entregar armas para armazenamento sob a supervisão de um governo tecnocrático palestino apoiado pelos EUA — distanciando-se do termo “desarmamento” —, um plano formulado em julho encontra-se paralisado. Donald Trump declarou que o Hamas e outros grupos armados concordaram com um roteiro de 15 pontos do Conselho da Paz para a entrega de armas, prevendo a retirada gradual de Israel. Em contrapartida, Israel rejeita a proposta, argumenta que o Hamas não abrirá mão do armamento e afirma que não retirará suas tropas até o desarmamento integral do grupo.

Em paralelo, a Força Internacional de Estabilização (ISF) ainda não foi consolidada, apesar de contar com um comandante nomeado — o major-general americano Jasper Jeffers — e com promessas de envio de pessoal por parte de Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Albânia, Kosovo e Uganda. O planejamento de longo prazo de Jeffers prevê um contingente de 20 mil soldados e a capacitação de 12 mil policiais palestinos. O Comitê Nacional para a Administração de Gaza, órgão tecnocrático liderado por Ali Shaath (ex-vice-ministro da Autoridade Palestina em Ramallah), foi nomeado em janeiro, mas ainda não ingressou no território.

Reconstrução e debates políticos em Israel

No aspecto estrutural, civis continuam vasculhando escombros em busca de materiais para sustentar tendas de abrigo. Em setembro, o Conselho da Paz divulgou um plano de US$ 2,45 bilhões para iniciar a reconstrução, valor que representa uma fração diminuta frente aos US$ 71,4 bilhões estimados por uma avaliação da União Europeia e da ONU em abril para a recuperação da próxima década.

Enquanto o plano de Trump previa incentivos para que os palestinos permanecessem na região, alas da direita política de Israel intensificaram discursos em favor da chamada “emigração voluntária” como solução para o futuro de Gaza. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou no mês passado que não há solução definitiva sem essa migração, e o Ministério da Defesa criou um escritório em 2025 voltado a supervisionar a saída, após sugestões anteriores de Trump sobre o deslocamento permanente dos palestinos — ideia que gerou forte resistência em países árabes, rejeição internacional e posterior recuo de Washington. Autoridades de Israel reiteram a inexistência de planos para expulsões forçadas. O país se prepara para realizar eleições gerais em 27 de outubro, as primeiras desde o conflito iniciado em 2023, com pesquisas apontando cenário acirrado e apoio de setores da oposição ao plano de Trump.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/um-ano-depois-plano-de-trump-nao-encerrou-guerra-em-gaza/

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