Pela primeira vez na história, uma equipe de observadores da União Europeia acompanhará as eleições no Brasil para avaliar a lisura do processo eleitoral. A expectativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de que um relatório positivo por parte dos europeus reforce a segurança e a fidedignidade das urnas eletrônicas.
No total, sete organizações internacionais receberam habilitação da corte eleitoral para monitorar o pleito. Além da União Europeia, foram credenciadas a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Parlamento do Mercosul (Parlasul), a Liga dos Estados Árabes, a Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (Roaje-CPLP), a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e a Rede Mundial de Justiça Eleitoral (RMJE).
De acordo com informações de fontes do TSE, os grupos estrangeiros já começaram a acompanhar os preparativos para o pleito e relataram forte impressão com o grau de organização da Justiça Eleitoral brasileira em todo o território nacional. Os observadores participaram de etapas como a lacração das urnas e obtiveram dados operacionais sobre o sistema eletrônico de votação, incluindo o funcionamento da zerésima, documento que atesta a precisão entre o voto do eleitor e a contabilização final para a apuração dos vencedores.
O cálculo do TSE aponta que o conjunto das instituições estrangeiras reunirá mais de 150 pessoas em solo brasileiro. Para definir a participação, a corte aplicou quatro critérios de habilitação: histórico de missões realizadas, comprovação de atuação no setor, capacidade técnica e a experiência reconhecida dos integrantes.
Por outro lado, o tribunal informou que 15 entidades não atingiram os requisitos exigidos e tiveram os pedidos de credenciamento oficial negados. Entre as rejeitadas estão legendas ultranacionalistas europeias como o Foro Madrid — vinculado ao partido espanhol Vox e que contratou em 2024 o ex-chanceler Ernesto Araújo como assessor internacional — e a Alternativa Democrática Nacional (ADN), de Portugal. A lista de recusas também engloba a Transparencia Electoral, com sede na Argentina, e a Eurolat, organização que conta entre seus membros com um brasileiro que exerce mandato de vereador em uma cidade texana e apoia medidas tarifárias do ex-presidente norte-americano Donald Trump.
