A União Europeia (UE) avalia que é difícil recolocar o Brasil na lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco em um prazo inferior a dois anos. A declaração foi feita por Jean-Pierre Bou, chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, em entrevista concedida na quinta-feira (1º). Exportadores brasileiros têm solicitado ao governo federal negociações para um período de transição que permita retomar os negócios mais rapidamente, mas o bloco ainda não demonstra abertura para essa alternativa.
Segundo Bou, embora o cenário pareça complexo, todos os envolvidos buscam soluções céleres. A exigência da UE para o setor de carne bovina determina que os fornecedores comprovem a ausência do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal, que para o boi dura em média dois anos. O bloco proíbe o uso dessas substâncias como estimulantes de crescimento ou reservadas ao tratamento humano.
Em contrapartida, o chefe-adjunto apontou que setores como o de frango e mel avançaram rapidamente após auditorias satisfatórias, o que deve possibilitar o retorno das exportações desses produtos. O veto à carne bovina ocorreu em 3 de setembro, após exclusão formal do Brasil em maio devido às normas sobre antimicrobianos, medida considerada protecionista pelo agronegócio brasileiro por coincidir com o início do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul.
Bou reconheceu a frustração nacional, mas pontuou que o acordo gerou oportunidades imediatas com alta nas vendas de uvas e café. Dados do Ministério da Agricultura indicam um crescimento de 10,9% no volume de café exportado para a UE de maio até agosto, na comparação com o mesmo período de 2025.
Sobre a imagem ambiental do país e a nova lei antidesmatamento da UE (EUDR), com vigoração prevista para dezembro, Bou destacou a necessidade de o Brasil manter os esforços contra o desmatamento e utilizar áreas degradadas para expandir a produção agrícola. O representante observou que a preparação para a rastreabilidade varia entre os setores: o café apresenta bons preparos, enquanto a carne bovina enfrenta maiores barreiras devido à passagem do gado por múltiplas propriedades antes do abate.
Por fim, Bou apontou a bioeconomia como vetor de expansão para itens amazônicos ainda pouco explorados no mercado europeu, como frutas, peixes e insumos voltados para as indústrias de cosméticos e medicamentos.
