A universalização do saneamento básico tem o potencial de injetar mais de R$ 1,4 trilhão em vantagens sociais no Brasil, impactando áreas como saúde, produtividade, turismo e valorização imobiliária. A projeção foi divulgada por Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, durante o VEJA Fórum Saneamento, ocorrido nesta terça-feira, 29, em São Paulo.
De acordo com os dados apresentados no painel voltado aos efeitos na saúde, na qualidade de vida e no meio ambiente, a expansão dos serviços pode resultar em uma economia de R$ 25,1 bilhões em despesas com saúde até 2040, além de impulsionar R$ 80 bilhões em ganhos de renda no turismo dentro do mesmo período. O levantamento também indica um acréscimo anual de R$ 22 bilhões na renda e na produtividade laboral por meio da universalização.
Em contrapartida, os números atuais revelam um déficit nos investimentos. No ano de 2024, o Brasil destinou R$ 137,02 por habitante para o setor, valor abaixo dos R$ 225 anuais julgados necessários para alcançar a universalidade. Os cálculos apontam a exigência de aportes na casa de R$ 48 bilhões anuais até 2033 para atingir as metas do marco legal. "Investimento vai se traduzir em obras que vão se traduzir em um maior percentual da população com acesso ao serviço", declarou Pretto.
A presidente-executiva ressaltou que a escassez de infraestrutura afeta cerca de 33 milhões de brasileiros sem água tratada e aproximadamente 90 milhões sem acesso à coleta de esgoto. Informações do Sinisa referentes a 2024 apontam que apenas 51,8% do esgoto gerado no país recebe tratamento.
No âmbito da saúde, o reflexo é visível nas hospitalizações por enfermidades de veiculação hídrica, a exemplo de diarreia, hepatite A, leptospirose e esquistossomose, que somaram 336 mil internações em 2024. Segundo Pretto, três anos após a instalação do saneamento, esse índice de internações pode sofrer uma redução de 69%.
Os reflexos econômicos e sociais também alcançam a educação e a renda. Conforme a apresentação, indivíduos com acesso ao saneamento estudam uma média de 9,5 anos, comparado a 7,5 anos entre os desprovidos do serviço. Pesquisa do instituto projeta ainda uma disparidade de 46,1% na renda acumulada ao longo da vida entre jovens que contaram com o saneamento na infância e adolescência e aqueles que não tiveram acesso.
O cenário de investimentos evidencia disparidades regionais. Entre 2020 e 2024, o Brasil aplicou R$ 112,6 bilhões em saneamento. Desse montante, a Região Sudeste concentrou R$ 57,3 bilhões (50,9%), com destaque para São Paulo, responsável por R$ 34,6 bilhões isoladamente. Em contraste, a Região Norte recebeu R$ 5,3 bilhões, o equivalente a 4,7%.
Para Pretto, a expansão dos recursos financeiros representa apenas parte do desafio, sendo fundamental aprimorar a qualidade das agências reguladoras, expandir o atendimento em regiões rurais e vulneráveis e conscientizar a população sobre a importância do saneamento. "Sem essa infraestrutura não tem como a gente pensar num desenvolvimento econômico e social do país", concluiu.
