Um novo paradigma na segurança pública
O Uruguai tem buscado alternativas para enfrentar a violência urbana, distanciando-se das políticas repressivas que predominam em outros países da América Latina. Enquanto nações vizinhas se voltam para medidas de força, o governo uruguaio lançou o Plano Nacional de Segurança, um projeto com horizonte de dez anos focado em políticas de Estado e soluções baseadas em evidências.
O fim da fórmula do fracasso
Segundo Emiliano Rojido, assessor do Ministério do Interior, o modelo tradicional de "mais policiais e mais prisões" provou ser ineficaz. O projeto uruguaio busca tratar a segurança como uma política complexa, envolvendo os três poderes, esferas municipais, sociedade civil e setor privado. O objetivo é evitar que a segurança pública seja usada como moeda de troca eleitoral, garantindo continuidade entre mandatos.
Resistência ao modelo Bukele
O governo uruguaio, por meio do ministro Carlos Negro, enfatiza a manutenção de um modelo democrático e republicano. Autoridades alertam que a busca por "soluções mágicas", como o modelo aplicado por Nayib Bukele em El Salvador — que envolve estados de exceção e restrição de direitos fundamentais —, é incompatível com a estrutura institucional do Uruguai.
Colaboração internacional e metas
O país conta com o apoio de organismos como BID, CAF, ONU e OEA para estruturar essa abordagem técnica. Embora a taxa de homicídios ainda seja um desafio, outros delitos como furtos e roubos apresentam queda. A estratégia uruguaia aposta na cooperação política interna e no rigor técnico para, a longo prazo, superar o avanço do crime organizado sem sacrificar o Estado de Direito.
