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Usina nuclear em Cuba: o projeto ambicioso que virou ruína

Projeto de usina nuclear iniciado por Fidel Castro em Cuba na década de 1980 foi abandonado após o colapso soviético e oposição dos EUA.

Redação•19 de set. de 2026, 14:23
Usina nuclear em Cuba: o projeto ambicioso que virou ruína
Imagem: site

Usina nuclear em Cuba: o projeto ambicioso que virou ruína

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Os apagões recorrentes em Cuba refletem um problema histórico agravado por restrições na venda de petróleo impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Diante da produção interna limitada e da forte dependência de importações, a ilha buscou alternativas energéticas ao longo das décadas.

A iniciativa mais ambiciosa surgiu no início da década de 1980, quando Fidel Castro iniciou planos para erguer uma usina nuclear em Juraguá, na província de Cienfuegos, com financiamento e construção da União Soviética. O projeto previa a construção de três unidades, sendo a primeira planejada para suprir 15% da demanda elétrica cubana.

No entanto, a empreitada enfrentou severos obstáculos. Os Estados Unidos manifestaram oposição alegando preocupações de segurança devido à proximidade geográfica, objeções que ganharam força após o desastre nuclear de Chernobyl em 1986, na Ucrânia, embora a Comissão Reguladora Nuclear tenha informado ao Congresso americano naquele ano que o design de Juraguá assemelhava-se mais ao de usinas ocidentais.

O golpe definitivo veio com o colapso da União Soviética em 1989. Três anos depois, a usina foi desativada sem jamais entrar em operação. Francisco Pérez, ex-trabalhador do projeto, relembrou que Fidel Castro reuniu os funcionários para comunicar a necessidade de paralisação das obras. Esforços posteriores de Cuba e da Rússia na década de 1990 para retomar o projeto esbarraram nas dificuldades financeiras e na oposição contínua de Washington. Em 1995, o então porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Nicholas Burns, declarou publicamente que o governo americano mantinha dúvidas sobre a qualidade da construção e a capacidade de operação de Cuba. Anos depois, relatos indicaram que Fidel Castro informou a Rússia sobre o desinteresse em finalizar a usina.

Hoje, a estrutura de concreto abandonada em Juraguá permite a livre circulação de pessoas, assim como a vizinha Nuclear City, construída para abrigar os milhares de trabalhadores da obra. Em depoimento à CNN, o ex-eletricista Luis Vargas expressou tristeza com o estado atual do local e com os milhões investidos sem conclusão. Na fachada da edificação, permanece legível uma placa com a inscrição: “Que o átomo seja um trabalhador, não um soldado!”

Enquanto o plano nuclear cubano permaneceu inconcluso, a energia nuclear expandiu-se por outras nações das Américas, conforme dados da AIEA. Os Estados Unidos contam com 94 reatores operacionais; o Canadá possui 17; a Argentina opera 3; o México tem dois; e o Brasil mantém duas unidades na usina de Angra, com capacidade de gerar cerca de 2.000 megawatts, patamar próximo ao déficit relatado pela União Elétrica de Cuba em 16 de setembro.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/usina-nuclear-que-prometia-livrar-cuba-do-petroleo-virou-sonho-frustrado/

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