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Vencedora do Nobel da Paz ironiza Donald Trump em primeira reação

Laureada com o Nobel da Paz 2026, a jurista Navi Pillay ironizou Donald Trump em sua primeira aparição pública após o anúncio da premiação.

Redação•09 de out. de 2026, 13:30
Vencedora do Nobel da Paz ironiza Donald Trump em primeira reação
Imagem: site

Vencedora do Nobel da Paz ironiza Donald Trump em primeira reação

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A jurista sul-africana Navi Pillay, laureada nesta sexta-feira, 9, com o Nobel da Paz 2026, fez uma ironia direcionada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira manifestação pública após o anúncio. Conhecida por sua trajetória em cortes internacionais como o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Corte Internacional de Justiça (CIJ), além de ter liderado o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Pillay foi homenageada pelo Comitê Norueguês do Nobel por sua atuação na defesa do direito internacional e na responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

Ao chegar para um congresso acadêmico no tribunal de Nuremberg sob aplausos, a jurista zombou do presidente americano. "Se aplaudirem um pouco mais, talvez eu divida este prêmio com Trump", declarou. A fala ocorreu dias após Trump voltar a reivindicar o Nobel da Paz, alegando ter encerrado oito conflitos, evitado guerras por meio de tarifas e salvo o mundo da aniquilação, incluindo a contenção do programa nuclear do Irã.

O episódio remete ao ano anterior, quando a oposicionista venezuelana María Corina Machado, vencedora do prêmio em 2025, presenteou Trump com sua medalha de Oslo após críticas do americano por ter sido ignorado. Na ocasião, o comitê reforçou que a honraria é intransferível e políticos noruegueses classificaram o gesto como humilhante.

Durante o anúncio deste ano, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes, fez declarações interpretadas como um recado ao mandatário dos EUA. Segundo Frydnes, observa-se uma guinada rumo à política de poder em detrimento dos marcos jurídicos, ressaltando que o Estado de Direito é a base da paz e da resolução não violenta de conflitos.

A trajetória de Pillay inclui a defesa de Nelson Mandela contra o apartheid, a atuação no Tribunal Penal Internacional para Ruanda — onde marcou a história jurídica ao reconhecer o estupro em guerra como elemento de genocídio — e a presidência de uma comissão da ONU que investigou o conflito em Gaza. Um relatório da comissão apontou que Israel cometeu genocídio contra os palestinos, conclusão rejeitada pelo governo de Benjamin Netanyahu.

Nesta sexta-feira, o gabinete do primeiro-ministro israelense criticou duramente a escolha da premiação. Em nota oficial, o governo de Israel afirmou que o comitê norueguês perdeu sua bússola moral ao laurear uma pessoa que apontou como intolerante, acusando-a de propagar calúnias contra o Estado judeu.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/vencedora-do-nobel-da-paz-alfineta-trump-em-primeira-reacao-ao-premio/

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