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Venezuela afirma manter soberania após acordo petrolífero histórico com os EUA

A presidente interina Delcy Rodríguez defende acordo que concede aos EUA controle de reservas em troca de investimentos, apesar do desconto de 78,5% no preço do barril.

Redação•30 de ago. de 2026, 12:00
Venezuela afirma manter soberania após acordo petrolífero histórico com os EUA
Imagem: site

Venezuela afirma manter soberania após acordo petrolífero histórico com os EUA

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A presidente interina da Venezuela declarou, no sábado (29), que o país preservará a “propriedade e soberania” sobre seus recursos petrolíferos. A afirmação ocorre após o anúncio de um acordo que concede aos Estados Unidos a permissão para explorar campos venezuelanos, vendendo o óleo com um desconto de 78,5% em relação ao preço praticado no mercado internacional.

Controle das Reservas e Termos do Acordo

O presidente americano, Donald Trump, anunciou na sexta-feira que os Estados Unidos passarão a ter o controle majoritário de 65 bilhões de barris das reservas da Venezuela, classificando a negociação como “o maior acordo petrolífero da história”. Em resposta, a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, justificou a medida através da “via da diplomacia”. Ela afirmou que o país mantém a propriedade de dezessete “campos estratégicos” que serão controlados pelos americanos, com a meta de atingir uma produção de 1,5 milhão de barris por dia.

Pelos termos estabelecidos, a Venezuela receberá 19 dólares (R$ 98,79) por barril, valor significativamente inferior ao preço de mercado atual, que gira em torno de 88,28 dólares. “Queremos ser uma potência energética, uma grande produtora de petróleo, uma exportadora significativa de gás e uma grande desenvolvedora petroquímica”, ressaltou Rodríguez em pronunciamento na televisão.

Contexto Político e Pressão Social

As negociações ocorrem sob intensa pressão de Washington e geram ceticismo entre apoiadores do chavismo. Delcy Rodríguez assumiu o poder em janeiro, após a captura e deposição de Nicolás Maduro em uma operação coordenada pelos Estados Unidos. A população manifesta dúvidas: Jesús Salazar, segurança de 68 anos, questionou quem realmente se beneficiará da medida, enquanto o Partido Socialista Unido da Venezuela reiterou apoio à decisão oficial.

Pressionada, Rodríguez implementou reformas recentes para abrir os setores de mineração e petróleo ao capital privado e investimento estrangeiro, indústrias anteriormente protegidas pelo Estado. Em contrapartida, os EUA flexibilizaram sanções impostas na era Maduro. Embora a produção tenha crescido 29,8% entre janeiro e julho, chegando a 1,2 milhão de barris por dia, o volume ainda é distante dos 3 milhões extraídos no fim do século XX.

Desafios Econômicos e Expectativas

Especialistas indicam que a recuperação total levará tempo. O engenheiro Oswaldo Felizzola, do IESA, estima que o aumento real na produção só será percebido em três ou quatro anos. Ele avalia que a presença dos EUA como garantidor de investimentos é essencial, dado que a PDVSA (Petróleos da Venezuela) não possui recursos para explorar os campos de forma independente.

A economia venezuelana tenta se recuperar de uma contração de 80% ocorrida entre 2014 e 2021. Atualmente, o salário mínimo mensal é de apenas US$ 0,16 (R$ 0,83), complementado por bônus estatais de US$ 240, valor insuficiente para cobrir a cesta básica estimada em US$ 730. Carlos Baco, funcionário público de 74 anos, expressou frustração com a alta dos preços e do transporte, esperando que a receita do petróleo finalmente alivie o custo de vida.

Impacto Tributário e Futuro

Rodríguez descreveu o pacto como “histórico” e espera gerar US$ 204 bilhões (R$ 1 trilhão) em receita tributária, embora detalhes sobre royalties e outros ganhos permaneçam obscuros. O analista Elías Ferrer e a advogada Dolores Dobarro, ex-vice-ministra de Energia, concordam que, apesar das condições desfavoráveis de preço, o investimento é uma oportunidade para reerguer o setor, já que o petróleo parado não gera benefícios ao país. O sucesso da empreitada dependerá agora da implementação rigorosa dos termos acordados.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/venezuela-afirma-que-mantem-sua-soberania-petrolifera-apos-acordo-com-eua/

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