O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, realiza uma viagem incomumente curta aos Estados Unidos. A chegada do premiê a Nova York está agendada para poucas horas antes de sua fala na Assembleia Geral da ONU, na quinta-feira (24), com retorno programado para a mesma noite. A visita de apenas um dia representa uma mudança drástica em relação às agendas tradicionais do líder israelense na instituição, que costumavam durar vários dias com compromissos em Nova York e Washington, D.C.
Desta vez, Netanyahu não passará a noite em território norte-americano e não tem nenhum encontro previsto com o presidente Donald Trump. O discurso ocorrerá a cerca de um mês das eleições de outubro em Israel e terá transmissão ao vivo pela televisão nacional em horário nobre. De acordo com uma fonte próxima ao premiê, a programação foi severamente enxugada devido à proximidade do pleito e à necessidade de o chefe de governo retornar com rapidez para os atos de campanha.
A falta de uma reunião com Trump chama a atenção, já que o encontro costumava ser o foco principal das passagens do premiê pelos EUA. Os dois líderes estiveram juntos pela última vez na Casa Branca em agosto, em uma ocasião que não contou com a presença da imprensa ou de câmeras. Uma fonte próxima a Netanyahu justificou a ausência de diálogo presencial citando “restrições de agenda”, negando qualquer indício de resfriamento diplomático após a decisão sobre o Irã.
Apesar disso, a mesma fonte apontou que, como a escolha de Trump de encerrar o confronto com o Irã abalou expressivamente sua popularidade em Israel, Netanyahu estaria “incerto se o apoio e o endosso do presidente sequer o ajudarão”.
A passagem do primeiro-ministro pelos Estados Unidos contará com forte esquema de segurança. Há expectativas de que a aeronave governamental israelense, batizada de “Wing of Zion”, pouse em Nova Jersey em vez de aterrissar em um aeroporto de Nova York.
Além disso, o discurso mobilizou o planejamento de protestos. Estão programadas manifestações, incluindo uma marcha iniciada no Bryant Park organizada pelo Movimento da Juventude Palestina (Palestinian Youth Movement) e um ato na Union Square, em Nova York, articulado pelo UnXeptable, coletivo de oposição ao governo israelense que atua no exterior.
