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Voto feminino será decisivo nas eleições e exige propostas concretas, aponta ONU Mulheres

Com 53% do eleitorado feminino e alta indecisão na reta final, voto das mulheres é apontado pela ONU Mulheres como decisivo nas eleições.

Redação•29 de set. de 2026, 10:06
Voto feminino será decisivo nas eleições e exige propostas concretas, aponta ONU Mulheres
Imagem: site

Voto feminino será decisivo nas eleições e exige propostas concretas, aponta ONU Mulheres

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Na reta final da campanha eleitoral, candidatos buscam o apoio das eleitoras. De acordo com estatísticas recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 53% do eleitorado brasileiro é composto por mulheres. Pesquisa espontânea do Instituto Datafolha revela que 26% das eleitoras ainda não haviam definido seu voto, enquanto entre os homens o índice era de 14%.

Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, destaca o peso desse grupo: “Sem dúvida, existe hoje uma consciência muito maior sobre a importância do voto das mulheres. Estamos falando de mais da metade do eleitorado. São elas, ao final, que, talvez, decidam quem vai ser eleito”.

Graduada em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Políticos (Science Po) e mestre em Direitos Humanos e Democratização, Palayret ressalta a necessidade de analisar a consistência das propostas. “Compromisso sem meta, orçamento e prazo dificilmente se transforma em política pública concreta”, afirma. Um documento recém-lançado pela ONU Mulheres apresenta dez propostas voltadas a candidatas, candidatos, partidos e à sociedade, apontando que a violência e as desigualdades de gênero e raça limitam o acesso feminino ao poder, à renda, ao cuidado, à proteção social e às respostas à crise climática.

Entraves no financiamento e orçamento

O financiamento surge como principal obstáculo para a execução de políticas públicas voltadas ao público feminino. Segundo a representante, o problema reside na previsibilidade e na efetiva execução dos recursos públicos, e não apenas na sua existência. Embora o governo federal tenha incorporado uma agenda transversal para as mulheres no planejamento plurianual, ainda falta transparência sobre os valores executados em diferentes esferas de governo.

A ONU Mulheres defende a criação de mecanismos orçamentários para monitorar e tornar público o investimento em igualdade de gênero. Serviços contínuos, como creches e casas de acolhimento para vítimas de violência, exigem recursos previsíveis para funcionar adequadamente.

Prevenção à violência contra a mulher

O combate à violência é outro eixo central abordado no levantamento. O país registra pelo menos quatro assassinatos de mulheres por dia. “Não podemos atuar somente depois que a violência aconteceu. Precisamos investir de forma consistente para evitar que ela aconteça”, adverte Palayret, pontuando que mulheres negras, indígenas e de outros grupos enfrentam barreiras adicionais que exigem diagnósticos e respostas específicos.

Para o curto prazo, a entidade aponta a urgência de agilizar a concessão e o monitoramento de medidas protetivas, além de aprimorar a articulação entre polícia, Justiça e rede de atendimento. O fortalecimento de iniciativas como a Casa da Mulher Brasileira e a capacitação de serviços básicos de saúde, educação, delegacias e órgãos de assistência social são apontados como fundamentais para identificar e acolher vítimas.

Política Nacional de Cuidados e sobrecarga de trabalho

O direito ao cuidado também ganha destaque no debate público. Dados indicam que as brasileiras dedicam em média 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, comparado a 11,7 horas entre os homens. Mulheres pretas e pardas enfrentam uma sobrecarga de 1,6 hora acima da média das mulheres brancas.

Embora o Brasil possua um marco normativo com a Política Nacional de Cuidados, o desafio continua sendo a garantia de recursos contínuos e a adaptação dos serviços à realidade das famílias, como o horário de funcionamento de creches compatível com as jornadas de trabalho.

O machismo como problema público

A ONU Mulheres enfatiza que o machismo deve ser tratado como um problema público, e não individual ou opinião pessoal. O cenário é agravado pelo avanço da “machosfera” em comunidades online. Pesquisa da Ipsos em parceria com o King's College London indica que 31% dos jovens acreditam que a esposa deve obedecer ao marido, mais que o dobro registrado entre homens da geração Baby Boomer (1946–1964). Para enfrentar a misoginia disseminada por conteúdos de motivação e autoajuda, a entidade defende estratégias permanentes que envolvam escolas, mídias, plataformas digitais, famílias, homens e meninos.

Crise climática e igualdade de gênero

O documento alerta que, até 2050, a crise climática pode empurrar 158 milhões de mulheres e meninas à pobreza extrema (16 milhões a mais que homens e meninos). Na América Latina, 58 milhões de mulheres vivem em áreas rurais, mas apenas 30% possuem terras em seu nome. A recomendação da ONU Mulheres é que gênero e raça sejam integrados desde a concepção das políticas climáticas e orçamentárias, garantindo o acesso a recursos para organizações lideradas por mulheres na proteção de territórios e na segurança alimentar.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/voto-feminino-sera-decisivo-nestas-eleicoes/

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