Os votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno podem desempenhar um papel decisivo na disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o perfil conservador e oposicionista de parte dos eleitores da terceira via tende a favorecer o senador do PL, embora o comportamento seja fragmentado.
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, Sanches avaliou que Flávio tem potencial para ampliar sua votação ao atrair eleitores de outros candidatos. Por outro lado, Lula pode buscar apoio em grupos urbanos que demonstram resistência à polarização.
Destino dos eleitores de Zema e Caiado
Segundo a análise da AtlasIntel, os eleitores de Romeu Zema e Ronaldo Caiado apresentam uma tendência mais favorável a Flávio Bolsonaro. Sanches atribuiu esse comportamento ao perfil conservador desses grupos e à oposição ao governo Lula, destacando que esse eleitorado representa uma oportunidade para o senador do PL expandir sua base, sem que a transferência seja automática ou venha acompanhada de percentuais fixos.
Cenário entre apoiadores de Cury e Renan Santos
Sobre os eleitores de outros candidatos, o analista apontou divisões. Os apoiadores de Augusto Cury não mostram uma migração integral para nenhum dos dois finalistas. Já entre os eleitores de Renan Santos, a divisão é ainda mais clara: a maioria tende a Flávio Bolsonaro, de 20% a 25% inclinam-se para Lula, e cerca de um terço pode optar pela abstenção.
Potencial de transferência para Flávio e espaço para Lula
Para Yuri Sanches, caso Flávio Bolsonaro consiga atrair entre 30% e 40% do eleitorado que votou em outros candidatos no primeiro turno, ele ocupará uma posição mais confortável na disputa contra o atual presidente.
Apesar da vantagem conservadora para o senador, Sanches indicou que Lula ainda possui margem de atuação. Nos centros urbanos, há um grupo expressivo cansado da polarização. A campanha petista pode buscar esses votos caso consiga apresentar propostas voltadas às preocupações desse público e convencê-lo para um novo mandato.
