O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reuniu-se nesta terça-feira (20), em Oslo, na Noruega, com o enviado norte-americano Steve Witkoff. O encontro ocorreu em meio a um período de grave crise nas relações diplomáticas entre Kiev e Washington, conforme avaliação do analista de Internacional da CNN, Lourival Sant’Além da reunião presencial com Witkoff, o líder ucraniano também manteve contato telefônico com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, com o intuito de atenuar as tensões bilaterais.
A crise atual afeta de maneira severa os esforços de guerra da Ucrânia, especialmente no que se refere à interceptação de investidas com mísseis balísticos russos. Durante as conversas, Zelensky apresentou formalmente três exigências principais da Casa Branca:
- Interceptadores de mísseis: A liberação de mais equipamentos é apontada por Kiev como a única alternativa para conter ataques aéreos russos. O governo ucraniano aponta que a recusa americana em fornecer os artefatos provocou a alta de vítimas civis nos grandes centros urbanos.
- Inteligência militar: A retomada do compartilhamento de dados estratégicos. Segundo a Ucrânia, os EUA reduziram expressivamente o repasse de informações sobre possíveis ofensivas russas, o que prejudica a capacidade de planejamento defensivo das forças armadas locais.
- Sistema Starshield: O fim das supostas restrições de uso à tecnologia de comunicação por satélite — vinculada à rede Starlink, de Elon Musk. Militares ucranianos afirmam que o acesso à ferramenta, utilizada na linha de frente para coordenar comunicações e operar drones, foi severamente limitado pelos EUA.
Segundo a análise de Lourival Sant’Anna ao programa CNN Prime Time, o envio de figuras como Steve Witkoff e Jared Kushner por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinaliza uma postura de negociação com foco em incentivos econômicos e de segurança. O analista pontua, contudo, que a pressão sobre Kiev ocorreu com restrições tecnológicas prévias para forçar negociações.
A movimentação diplomática também estaria ligada ao cenário político interno norte-americano e ao impacto econômico da guerra no Oriente Médio. De acordo com o analista, o interesse imediato de Trump abrange expectativas de conter a alta nos preços do combustível, em um momento de eleições de meio de mandato desfavoráveis.
Após a agenda com Zelensky, a programação de Steve Witkoff prevê uma viagem à Rússia para encontros com autoridades locais, o que pode incluir o presidente Vladimir Putin, para prosseguir com as tratativas sobre o conflito na Europa.
