O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) declarou que “a Justiça está a serviço do Lula” após o cancelamento do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo no Rio de Janeiro. O político já se encontrava nas instalações da emissora quando o evento foi suspenso.
“O Judiciário faz política no Brasil. Nada contra a participação de qualquer candidato, mas nós sempre tivemos regras para serem obedecidas e, faltando poucos minutos, uma decisão judicial, ao meu entender, sem pé nem cabeça, muda tudo. Outro candidato desiste e nós estamos vendo a Justiça a serviço do Lula”, afirmou Zema em declaração à imprensa.
O candidato também apontou um cenário de “total insegurança política” e descartou qualquer possibilidade de abandonar a disputa eleitoral. “Um time que está em campo aos 40 minutos vai sair do campo? Vou levar até o final. Hora nenhuma pensamos em desistência. Tem, sim, candidatos do Novo que apoiam outro candidato, e eu tenho muitos prefeitos e parlamentares de outros partidos que me apoiam, coisa mais que normal na política. Levarei até o final”, declarou.
Motivos do cancelamento segundo a emissora
De acordo com a TV Globo, a suspensão ocorreu após o recebimento de duas notificações que alteravam as normas previamente estabelecidas e combinadas para o encontro.
- Primeira notificação: Decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que atendeu a um pedido da coligação do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), determinando a proibição de perguntas e estabelecendo que não deveria haver púlpito vazio. A medida invalidou o acordo assinado por todas as legendas, incluindo o PT, que previa manter o púlpito com uma placa de identificação no cenário em caso de ausência.
- Segunda notificação: Decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a participação do candidato Renan Santos (Missão) no debate.
A emissora ressaltou que as diretrizes para convites em debates de rádio e TV seguem a lei e portarias do TSE, exigindo a presença de legendas com ao menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. A direção da emissora ainda mencionou que o presidente do TSE, Nunes Marques, modificou o entendimento do próprio tribunal sobre a contagem de parlamentares, assegurando o direito de participação ao candidato Romeu Zema, do partido Novo.
