O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou, durante sabatina no programa Veja Em Foco nesta quinta-feira (3), que pretende privatizar a Petrobras e os Correios caso seja eleito. A proposta integra uma agenda de redução da participação do Estado na economia, já aplicada por Zema em Minas Gerais.
Privatizações e exceções
Ao ser questionado sobre sua política para grandes estatais brasileiras, Zema declarou que deseja privatizar todas as empresas consideradas operacionais pelo governo federal. No entanto, fez ressalvas: a Caixa Econômica Federal, o BNDES e a Embrapa não fariam parte desse grupo, assim como escolas e polícia. O candidato não apresentou estudos sobre os impactos fiscais ou econômicos da privatização da Petrobras, nem detalhou como conduziria um processo dessa magnitude.
A proposta é apresentada como extensão da política de desestatização adotada em Minas Gerais, onde, segundo Zema, 118 empresas foram privatizadas ou tiveram participações vendidas durante seus sete anos e meio de governo. Ele citou exemplos como a Copasa e afirmou que os recursos obtidos foram usados para recuperar as finanças estaduais e financiar investimentos.
Complexidade da proposta federal
A privatização da Petrobras envolveria uma escala muito maior do que as operações realizadas em Minas Gerais. A companhia é uma das maiores empresas brasileiras, com atuação em petróleo, refino, distribuição e outras áreas da cadeia energética, o que exigiria uma operação complexa, envolvendo questões econômicas, regulatórias e estratégicas.
Zema também defendeu a privatização dos Correios, argumentando que o Estado não deveria administrar empresas cuja atividade pode ser desempenhada pela iniciativa privada. Segundo ele, os recursos públicos poderiam ser direcionados para melhorar serviços e infraestrutura, como estradas, ferrovias, hidrovias, hospitais e segurança.
A defesa das privatizações foi acompanhada de promessas de redução de gastos, como reforma administrativa, combate a supersalários e revisão de contratos públicos. Zema estimou que a reforma poderia gerar R$ 2 trilhões de economia em 20 anos e a revisão de contratos permitiria economizar cerca de R$ 150 bilhões por ano, embora não tenha apresentado cálculos durante a sabatina.
