Crise de rentabilidade afasta investidores
Por alguns anos, os fundos multimercado ocuparam um lugar importante nas carteiras dos investidores brasileiros. A premissa era combinar diversos ativos, como ações e moedas, em busca de retornos superiores ao CDI. Contudo, após atingirem o auge em 2019 com quase 2 trilhões de reais em patrimônio, esses fundos enfrentam uma fuga em massa.
Dados revelam o cenário atual
Somente neste ano, os saques somam cerca de 20 bilhões de reais, reduzindo o patrimônio da categoria para 1,6 trilhão. Grandes gestoras estão sentindo o golpe: a Gávea Investimentos vendeu seus fundos multimercado para a Bradesco Asset, enquanto a TAG praticamente zerou seu saldo na categoria. A rentabilidade média até agosto foi de 5,7%, enquanto o CDI acumulou 9,3%, tornando difícil a manutenção de posições para muitos gestores.
O impacto dos juros e novos concorrentes
A inflação persistente e a manutenção da taxa Selic em patamares elevados impediram que gestores atingissem suas metas, já que muitas estratégias apostavam na queda dos juros. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou que a taxa permanecerá alta para conter a inflação. Paralelamente, o investidor brasileiro tornou-se mais exigente e consciente sobre liquidez e transparência, migrando para produtos mais simples e de baixo custo, como os ETFs, que captaram 35 bilhões de reais este ano.
Perspectivas futuras
Além da concorrência com a renda fixa, as taxas de administração pesam sobre o desempenho negativo. Com o Boletim Focus projetando Selic de dois dígitos até 2029, a tendência é que a debandada de investidores e gestores continue, visto que a categoria perdeu atratividade em um cenário de longo prazo com juros elevados.
