A uma semana da votação, a Justiça Eleitoral contabiliza 827 candidatos que continuam sem a situação de seus registros definida, conforme informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Do total de 20.987 pedidos de registro de candidatura apresentados, 20.160 já passaram por julgamento, com mais de 90% aprovados.
O grupo de 827 registros pendentes engloba candidaturas que aguardam a análise inicial e casos julgados por tribunais regionais cujas decisões foram contestadas por recursos ainda não apreciados pelo TSE.
Quando o pleito chega sem uma definição judicial definitiva, o postulante pode concorrer na condição de "sub judice". Nessa circunstância, o candidato tem autorização para utilizar verbas de campanha, continua visível na urna eletrônica e pode captar votos. Contudo, se o registro for rejeitado após o término do processo, os votos obtidos acabam anulados.
Situação entre os presidenciáveis
No cenário da Presidência da República, todos os registros passaram por análise. O único nome sem deferimento é o de Pablo Marçal (PRTB), barrado por inelegibilidade decorrente de condenação ligada às eleições de 2024. O processo aponta que o empresário disseminou massivamente vídeos curtos nas redes sociais prometendo premiações em dinheiro a criadores de conteúdo que alcançassem mais visualizações. A Justiça Eleitoral avaliou que a prática configurou abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação social, além de captação e gastos ilícitos de recursos de campanha.
Após a rejeição da candidatura de Marçal, o PRTB apontou Leonardo Avalanche para concorrer à Presidência no lugar dele. Entre os postulantes ao cargo máximo do Executivo, o registro de Avalanche permanece como o único aguardando definição.
Cargos legislativos e governos estaduais
Entre os concorrentes ao posto de deputado federal, 331 mantêm pendências em suas situações. Na disputa pelo Senado, há 35 registros sem conclusão. Para os governos estaduais, 22 candidaturas encontram-se na mesma condição.
O grupo de governadores com pendências inclui Dr. Furlan, que disputa o governo do Amapá. A análise do registro dele foi paralisada na semana anterior após pedido de vista formulado pelo ministro André Mendonça, integrante do TSE. Furlan enfrentou uma ação da Polícia Federal na época em que exercia o cargo de prefeito de Macapá e deixou o posto para concorrer ao governo estadual. O Ministério Público Eleitoral argumenta que a saída teve a finalidade de burlar um processo que geraria sua inelegibilidade, defendendo assim a proibição da candidatura.
Anthony Garotinho, que busca uma vaga ao governo do Rio de Janeiro, também figura entre os candidatos com situação em aberto. O TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) negou o registro do político no início do mês, apontando inelegibilidade por condenações relacionadas a improbidade administrativa com dano ao erário e enriquecimento ilícito de terceiros. Garotinho apresentou recurso no próprio TRE-RJ, cujo julgamento ainda não ocorreu, mantendo a decisão temporária passível de alteração. Caso a corte mantenha o entendimento, o político ainda terá a opção de apelar ao TSE.
