NewsHub
Economia

Ajuste fiscal no Brasil exige construção por consenso, avalia CEO do BRPartners

Segundo Ricardo Lacerda, CEO do BRPartners, o ajuste fiscal brasileiro deve ser construído em consenso com a sociedade, o Congresso e as empresas.

Redação•01 de out. de 2026, 21:08
Ajuste fiscal no Brasil exige construção por consenso, avalia CEO do BRPartners
Imagem: site

Ajuste fiscal no Brasil exige construção por consenso, avalia CEO do BRPartners

Ouça esta matéria em voz alta

O CEO do banco BRPartners, Ricardo Lacerda, avaliou que o problema fiscal enfrentado pelo Brasil diz respeito a toda a sociedade, indo além de uma preocupação restrita à Faria Lima ou ao meio empresarial. A declaração foi dada durante participação no programa de entrevistas Capital Insights, fruto de uma parceria entre a Broadcast e a CNN Money.

Durante a entrevista, Lacerda apontou que existe um entendimento de que as consequências da situação atual são graves para toda a população, uma vez que a taxa de juros permanece em um patamar considerado "insuportável". Para o executivo, mesmo diante do cenário de polarização na disputa presidencial, será necessário que o ajuste fiscal seja erguido em conjunto com a população, o Congresso Nacional e as empresas, visto que nenhum partido político deterá predominância legislativa.

O banqueiro também observou que os dois principais candidatos à presidência nas pesquisas de intenção de voto demonstram, por meio de seus representantes na área econômica, o propósito de realizar o ajuste fiscal. Contudo, na avaliação de Lacerda, o mercado financeiro tende a acreditar que Flávio Bolsonaro conduziria um ajuste fiscal mais amplo — apesar de nenhum plano ter sido formalmente apresentado —, motivado pelo fato de o mercado, as gestoras e as empresas estarem fragilizados pelos problemas econômicos acumulados nos últimos quatro anos.

Lacerda classificou o tema como uma questão de narrativa e pontuou que, embora o atual governo traga para si o peso da questão fiscal (para a qual também contribuiu), o problema é histórico e vem de muitos anos, não podendo ser atribuído exclusivamente à atual gestão.

Insegurança jurídica e crise no Judiciário

O CEO do BRPartners abordou ainda a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, intensificou a insegurança jurídica histórica no país. Na visão do banqueiro, essa crise teve origem na transformação do poder judiciário brasileiro em um balcão de negócios, gerando reflexos diretos no custo do dinheiro e nas taxas de juros do país.

O executivo afirmou que as decisões e os envolvidos são conhecidos, culminando em uma situação que definiu como uma "várzea no Supremo Tribunal Federal". Lacerda destacou que companhias nacionais e multinacionais acompanham esse cenário, o que gera um consenso sobre a necessidade de uma reforma ampla no Judiciário, ressaltando que há empresas que sequer consideram investir no Brasil devido à insegurança jurídica.

Impacto dos juros elevados nas empresas

Por fim, o banqueiro comentou os impactos gerados pelos juros excessivamente altos sobre a liquidez das empresas, apontando que diversas companhias foram surpreendidas pela manutenção das taxas elevadas por um período prolongado. Segundo Lacerda, atualmente uma empresa com alavancagem de 2,5 vezes trabalha exclusivamente para quitar juros, reforçando a necessidade de adotar medidas para alcançar juros mais baixos, com uma taxa real ideal situada entre 4% e 5%.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/negocios/ajuste-fiscal-tera-de-ser-feito-por-consenso-diz-ceo-do-brpartners/

Compartilhar