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Análise aponta os fatores que surpreenderam Lula no primeiro turno das eleições

Analista aponta os quatro fatores que explicaram a derrota de Lula no primeiro turno para Flávio Bolsonaro e os desafios da campanha.

Redação•09 de out. de 2026, 07:30
Análise aponta os fatores que surpreenderam Lula no primeiro turno das eleições
Imagem: site

Análise aponta os fatores que surpreenderam Lula no primeiro turno das eleições

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O presidente Lula encerrou o primeiro turno da eleição na segunda colocação, alcançando 45,16% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 47,03%. O resultado ocorreu após o chefe do Executivo chegar ao domingo convencido de que conseguiria a vitória logo na primeira etapa do pleito.

Especialistas e analistas apontam que o cenário já era percebido por alguns, contrariando levantamentos de pesquisas eleitorais, devido a uma onda azul impulsionada por quatro principais fatores que o presidente não teria compreendido.

Os quatro fatores da onda azul

  • Campanha eleitoral: Lula não apresentou seu melhor desempenho, fez declarações consideradas desnecessárias e falhou em emitir uma mensagem conciliadora para um país esgotado pela polarização. O foco foi direcionado a mobilizar a base existente em vez de atrair eleitores moderados. O próprio presidente reconheceu que esta foi sua disputa menos organizada desde 1989, embora a direção política parta do candidato.
  • Desaprovação governamental: A rejeição à gestão permaneceu constante. A ampliação de gastos e iniciativas populares não se reverteram em apoio popular. O desgaste avançou para além da economia, atingindo a imagem presidencial, o modelo de governança e a impressão de que o país segue preso aos mesmos embates.
  • Voto silencioso: Evidenciado de forma clara em Brasília, onde o pleito teve movimentação discreta nas ruas, sem grandes carreatas, motociatas ou exibição de bandeiras. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro alcançou 51,31% dos votos no Distrito Federal, sendo derrotado apenas na Asa Norte e na Asa Sul. O fenômeno também se repetiu regionalmente, com vitórias de Flávio em todos os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, demonstrando que as pesquisas da véspera falharam em registrar a movimentação do eleitorado.
  • Relação com o STF e exposição da primeira-dama: Uma parcela do eleitorado passou a enxergar proximidade entre Lula e setores do Supremo Tribunal Federal (STF), fazendo com que a Corte deixasse de ser vista apenas como moderadora para integrar a disputa política. Unida à exposição acentuada da primeira-dama, essa visão acabou beneficiando o adversário.

O texto aponta ainda que Lula deixou de consolidar uma frente ampla e optou por uma retórica de confronto de tom latino-americano. Diante do resultado, a reação inicial do presidente de prometer expor a biografia do adversário pode representar a repetição de equívocos anteriores, visto que o eleitorado demonstra exaustão com a radicalização. O principal desafio consiste em diminuir o antilulismo que extrapolou o bolsonarismo, alcançando eleitores sem ligação com a direita.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/murillo-de-aragao/a-eleicao-que-lula-nao-compreendeu/

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