A análise histórica de recessões e períodos econômicos oferece perspectivas sobre o cenário atual do país, com destaque para os paralelos com a crise registrada entre o segundo trimestre de 2014 e o terceiro trimestre de 2016, considerada a pior da história recente do Brasil.
Segundo a avaliação, embora a crise do segundo governo Dilma tenha apresentado queda e extensão semelhantes às da crise da dívida e do Plano Collor, ela se diferenciou negativamente por gerar uma perda permanente de renda. Métricas indicam que o produto interno estaria de 15% a 27% acima do patamar atual se o país tivesse retomado a tendência de crescimento do período entre 2001 e 2014.
O fator apontado como determinante para transformar uma recessão modesta em um problema duradouro foi a incapacidade do segundo governo Dilma de responder aos anseios de ajuste econômico, especialmente no setor fiscal. Conforme a publicação, a gestão enfrentou dificuldades após reeleição pautada na promessa de manter a política econômica marcada por expansão de gastos e inflação acima da meta. Na avaliação apresentada, faltaram convicção, apoio partidário e respaldo popular para efetivar o ajuste, resultando em disparada de riscos, aumento do juro real frente aos Estados Unidos, alta do dólar, inflação e contração do produto, além de reflexos de investimentos anteriores de baixa qualidade, como refinarias inacabadas, estaleiros falidos, o saque da Petrobras e estádios construídos por motivos políticos.
O texto também aponta que a recuperação recente, com crescimento em torno de 3%, não seria sustentável, pois se apoiou no endividamento crescente do governo e das famílias, além do uso de capacidade ociosa atualmente esgotada.
Paralelos são traçados com o cenário atual, que apresenta inflação acima da meta com preços de combustíveis controlados e desequilíbrio fiscal refletido no crescimento de 10% do PIB na dívida sob a gestão vigente. A promessa de manter a política econômica e o desejo do partido em aprofundá-la remetem ao histórico do governo Dilma, indicando que eventuais mudanças pós-reeleição não devem ocorrer. O principal ponto de preocupação reside na dinâmica eleitoral de negar a necessidade de mudanças, o que encarece e dificulta a implementação de ajustes futuros.
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/alexandre-schwartsman/o-passado-condena-5/
