As disputas eleitorais no Brasil ganharam contornos de forte tensão neste pleito, destacando-se por três características principais que diferenciam o cenário atual de momentos anteriores da história política do país, conforme apontado em análise sobre o pleito.
O primeiro fator destacado é a simetria das suspeitas que envolvem as principais lideranças políticas na chegada às urnas. Enquanto o caso Master alcançou a campanha de Flávio Bolsonaro, apurações ligadas ao INSS e outras investigações atingiram pessoas próximas ao presidente. Historicamente, as disputas apresentavam maior desequilíbrio de acusações entre os concorrentes.
O segundo aspecto relevante é o protagonismo assumido pelos tribunais na reta final do processo. O texto aponta episódios como o vaivém de decisões sobre publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida, reviravoltas em debates televisivos — que acabaram cancelados —, e a situação jurídica da candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná, cujo registro foi indeferido pelo TSE na véspera da eleição e suspenso por seu presidente na manhã seguinte. Tal sucessão de decisões em direções diferentes gerou, em parte do eleitorado, a percepção de que a Justiça passou de árbitra a personagem da disputa.
O terceiro fator veio do exterior, com a decisão dos Estados Unidos e da Austrália de suspenderem o atendimento presencial em suas embaixadas e consulados nas vésperas do primeiro turno, motivadas por preocupações de segurança e riscos de terrorismo. A coincidência temporal com a reta final eleitoral integrou o ambiente de forte tensão em que o voto foi depositado.
A combinação desses fatores transformou a escolha do eleitorado em um julgamento não apenas de programas de governo, mas também das instituições que cercaram o pleito, cujos desdobramentos políticos seguirão após o encerramento da votação nas urnas.
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/murillo-de-aragao/eleicoes-disputadas-nas-urnas-e-nos-tribunais/
