O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, criticou nesta segunda-feira (28) a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets no Brasil. Ele também defendeu o aumento da taxação do setor caso as apostas online não sejam eliminadas. A declaração foi feita após uma reunião fechada com a diretoria do Bradesco, na região da Faria Lima, em São Paulo.
Para Cury, a medida provisória (MP) anunciada por Lula na sexta-feira (25), a poucos dias do primeiro turno, é insuficiente para enfrentar os problemas causados pelas apostas esportivas e cassinos online. "Eu não entendo por que às vésperas da eleição o Lula faz isso. Está usando a dor das pessoas para ganhar voto", afirmou o candidato, avaliando que o presidente estaria mais preocupado com a permanência no poder do que com a situação das famílias brasileiras.
O candidato defendeu que as bets sejam eliminadas ou submetidas a uma tributação elevada, comparável à de produtos que geram dependência. "Bet tem que ser, se não eliminada, tem que ter uma taxa de responsabilidade fiscal nos níveis de cigarro, que gera dependência. Então, tem que pagar altíssimo imposto, 50% a 60%, ou então eliminá-las", declarou. Cury ainda criticou o fato de o governo ter regulamentado as apostas de quota fixa no ano anterior antes de anunciar a proibição: "Quem foi que deu o alvará o ano passado para as bets funcionarem? Foi o Lula".
A medida provisória publicada na última sexta-feira estabelece o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país, abrangendo apostas esportivas e jogos online. A determinação tem efeito imediato, mas depende de análise do Congresso Nacional para seguir em vigor.
Cury também associou as plataformas de apostas ao endividamento das famílias, apontando que os recursos direcionados aos jogos deixam de circular no comércio e na aquisição de produtos e serviços. "As famílias estão tão endividadas. Elas pagam R$ 1,2 trilhão por ano de juros. Isso é inaceitável", disse.
Além disso, o candidato defendeu a responsabilidade fiscal e a redução da taxa básica de juros. Segundo Cury, um eventual governo sob sua liderança realizaria uma revisão dos gastos públicos para diminuir o déficit e viabilizar a queda dos juros. "Nós temos que baixar os juros o mais rapidamente possível, ter responsabilidade fiscal para que o Banco Central tenha a capacidade de abaixar, dentro de um ano a um ano e meio, para níveis de quem sabe 7% ou 8% e logo, mais ainda", afirmou.
