O envelhecimento populacional e o aumento da expectativa de vida global, impulsionados por avanços na medicina, melhorias sanitárias e desenvolvimento econômico, impõem novos desafios estruturais e econômicos. Dados do IBGE indicam que a expectativa de vida ao nascer no Brasil atingiu 76,6 anos em 2024. No cenário internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a marca chegou a 73,3 anos, registrando um crescimento de 8,4 anos desde 1995. Além disso, a população mundial com 60 anos ou mais deve saltar de 1,1 bilhão em 2023 para 1,4 bilhão em 2030.
Essa transformação demográfica afeta diversos setores. No âmbito tecnológico, a adaptação de aplicativos, smartphones e inteligência artificial para idosos é apontada como essencial para evitar a exclusão digital. Na área jurídica, defende-se a necessidade de maior agilidade nos processos e aperfeiçoamento das leis de proteção, considerando que o tempo processual possui peso distinto para quem alcança os 80 ou 90 anos. Na saúde, o foco recai sobre a prevenção, a preservação da autonomia e o combate a doenças cognitivas.
Historicamente, modelos de proteção social como o criado por Otto von Bismarck na Alemanha no final do século XIX — que estabeleceu a aposentadoria por idade em 70 anos em 1889 — foram estruturados para uma realidade demográfica distinta. O próprio Bismarck viveu até os 83 anos, enquanto a idade para acesso ao benefício na Alemanha só foi reduzida para 65 anos durante a Primeira Guerra Mundial, conforme dados da previdência pública alemã (Deutsche Rentenversicherung).
Especialistas apontam que a própria definição tradicional de aposentadoria, historicamente associada ao recolhimento a um aposento, torna-se insustentável quando indivíduos podem viver três ou quatro décadas após deixarem o mercado formal. Um estudo do National Bureau of Economic Research (NBER) reforça que o planejamento para a velhice exige analisar simultaneamente patrimônio, renda, estado de saúde, riscos de dependência, herança e custos de cuidados prolongados.
A indústria financeira, tradicionalmente focada na fase de acumulação de capital, enfrenta o desafio de desenvolver mecanismos para transformar patrimônio em renda estável, proteger contra a inflação e suprir custos associados a cuidados de saúde e enfermagem. Paralelamente, debates sobre a longevidade saudável destacam que a preparação para viver até os 100 anos demanda saúde preventiva, adaptações residenciais, apoio familiar e a ressignificação do trabalho e do propósito de vida na maturidade.
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/o-seu-o-meu-o-nosso/voce-esta-preparado-para-viver-ate-os-100-anos/
