O avanço da direita nas urnas colocou em dúvida a estratégia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de transformar o fim da escala 6x1 em sua principal bandeira para o segundo turno das eleições. Segundo informações apuradas pela âncora da CNN Tainá Falcão no programa CNN Bastidores, o tema — que antes era amplamente comemorado por governistas — perdeu impacto devido ao resultado inesperado do primeiro turno.
Antes da votação, a avaliação na equipe de Lula era de que a proposta serviria para recuperar espaço entre trabalhadores de menor renda, ampliando a vantagem sobre os concorrentes. A pauta inclusive integrou o último ato de campanha de Lula realizado em São Paulo antes do primeiro turno.
Desempenho da direita surpreende aliados
O desempenho da direita no Senado e a posição de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno foram avaliados por apoiadores do governo como um "balde de água fria". O cenário gerou receio de que a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a escala 6x1 termine em derrota, com placar apertado, ou nem aconteça no intervalo entre os turnos, gerando embaraço à campanha.
Com isso, aliados de Lula passaram a cobrar mudanças no discurso presidencial, sugerindo que o petista deixe de focar apenas no passado e passe a projetar propostas voltadas para o futuro. Apesar dos riscos, a campanha sinalizou que não vai abandonar a bandeira da 6x1, embora permaneça a dúvida sobre a força da pauta como trunfo eleitoral.
Calendário no Senado e pressão sobre Alcolumbre
Mesmo com as incertezas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assegurou a aliados que manterá o calendário para discutir a PEC. O exame da proposta foi agendado para começar nesta terça-feira (6), com sessões adicionais na quarta-feira (7) e na quinta-feira (8).
De acordo com o rito habitual, são exigidas cinco sessões de discussão antes da votação, prazo que pode ser reduzido mediante acordo. Para ser aprovada, a PEC demanda o voto favorável de pelo menos 49 dos 81 senadores, divididos em dois turnos de votação.
Contudo, há forte pressão dentro do Senado para evitar que a matéria seja pautada, considerando as alterações na composição da Casa decorrentes das urnas. Permanece também a incógnita sobre a existência de quórum e votos suficientes para a aprovação. A situação ainda é influenciada pelo fato de que pautar ou não a proposta nesta legislatura pode impactar os planos políticos de Alcolumbre na disputa pela presidência do Senado Federal.
