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Benjamin Netanyahu luta pela sobrevivência política em eleições em Israel

Eleições em Israel colocam o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o opositor Gadi Eisenkot em disputa incerta pela formação de governo.

Redação•30 de out. de 2026, 07:30
Benjamin Netanyahu luta pela sobrevivência política em eleições em Israel
Imagem: site

Benjamin Netanyahu luta pela sobrevivência política em eleições em Israel

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As eleições realizadas em Israel na terça-feira (27) colocam o futuro do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em aberto, em um pleito acompanhado de perto pela comunidade internacional devido aos reflexos no Oriente Médio. Netanyahu, que acumula dezenove anos no cargo e é o mais longevo premiê da história israelense, tenta se manter no poder sustentando o argumento de que é o único capaz de preservar a superioridade militar do país e restabelecer a segurança nacional após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

O principal adversário de Netanyahu na disputa é Gadi Eisenkot, ex-chefe das forças de defesa que deixou o governo por discordar da gestão da crise e se posiciona como uma alternativa mais moderada. Um dia após o pleito, Netanyahu discursou para apoiadores em Jerusalém celebrando um resultado inconclusivo, afirmando que as previsões das pesquisas estavam incorretas. O partido do primeiro-ministro e seus aliados conquistaram 53 das 120 cadeiras no Knesset (o parlamento local), superando dezenas de concorrentes, mas ficando aquém dos 61 assentos exigidos para a formação de um governo.

Nesse cenário, Gadi Eisenkot pode obter vantagem na composição de alianças. O bloco liderado pelo opositor elegeu 49 nomes e demonstra maior flexibilidade para acordos. Para alcançar a marca de 61 assentos necessária para governar, as legendas podem buscar apoio entre os dois partidos árabes, que alcançaram um recorde histórico de 19 parlamentares. James Sunderland, da Universidade de Cambridge, aponta que essas legendas conquistaram um poder inédito e podem atuar como fiéis da balança no processo eleitoral.

Apesar da matemática parlamentar, a polarização política impõe obstáculos para ambos os lados. Enquanto a votação expressiva dos partidos árabes freia os planos de Netanyahu, ela também representa um desafio para Eisenkot, cuja aliança é formada por legendas que majoritariamente rejeitam uma coalizão com tais agremiações. A expectativa é que, na semana seguinte, o presidente Isaac Herzog conceda ao grupo com maior apoio a prerrogativa de formar um governo, uma fase complexa que pode se estender por um mês ou mais.

Analistas avaliam o pleito como um referendo sobre a atuação de Netanyahu frente aos ataques de 7 de outubro. O premiê enfrenta críticas por falhas de segurança e inteligência, além do desgaste associado à demora no resgate de reféns mantidos pelo Hamas e à devastação em Gaza, que registra mais de 70 000 mortes. Informações recentes também indicam que o presidente dos Emirados Árabes Unidos o teria alertado sobre a ofensiva dias antes, alegação negada pelo primeiro-ministro. A continuidade nos conflitos manteve Netanyahu no cargo, o que também o protege de processos judiciais, embora tenha gerado forte oposição internacional.

Caso a coligação liderada por Gadi Eisenkot assuma o poder, a tendência projetada inclui a redução do tom em conflitos prolongados com o Irã e o Líbano, priorizando a diplomacia e o alinhamento com a Casa Branca. O opositor apoia a criação de uma comissão independente para investigar as responsabilidades nos ataques do Hamas e declarou o intuito de manter operações em Gaza — onde perdeu um filho em combate — e na Cisjordânia até a eliminação das ameaças terroristas, posicionando-se contra o reconhecimento de um Estado palestino. Yossi Mekelberg, do programa de Oriente Médio da Chatham House em Londres, classifica o pleito como o mais decisivo da história de Israel devido aos impactos regionais de longo alcance.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/netanyahu-briga-pela-sobrevivencia-em-uma-eleicao-de-ecos-ainda-incertos/

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