O programa O Grande Debate discutiu, na quinta-feira (21), se as chamadas big techs possuem capacidade de interferir nos pleitos eleitorais. O tema voltou a ganhar destaque após o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estabelecer um prazo de 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico sobre as atividades do canal "Exército do Lula", gerenciado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A ordem atende a uma solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que pretende averiguar se a companhia respeitou o plano de conformidade enviado à Justiça Eleitoral. Além disso, o Ministério Público apontou falhas na forma como a Meta lidou com as campanhas eleitorais.
Interferência nas redes sociais e soberania
Durante o programa, o comentarista José Eduardo Cardozo afirmou categoricamente que as grandes empresas de tecnologia exercem forte influência nas disputas. Segundo ele, grande parte das campanhas ocorre atualmente nas redes sociais, concedendo a essas corporações um poder expressivo. O comentarista pontuou que as plataformas podem remover conteúdos e restringir situações, atribuindo tais ações a problemas técnicos, que, segundo ele, parecem ocorrer de forma sistemática em apenas um lado do espectro político.
Cardozo também classificou o cenário como uma ameaça à soberania nacional, argumentando que se trata de uma interferência empresarial indevida com potencial para afetar a eleição de um presidente da República. Para ele, a situação compromete tanto a soberania internacional quanto a popular, sobretudo quando eleitores são induzidos ao erro por meio de desinformação ou pela supressão de canais de comunicação.
Regulamentação e lacuna legislativa
O empresário Leonardo Bortoletto concordou que as plataformas têm potencial de influenciar resultados eleitorais, ponderando que qualquer concentração de poder pode gerar tal efeito. Ele afirmou que seria impensável descartar essa influência para o pleito de 2026, citando como exemplo histórico um episódio de 2014 envolvendo uma reunião interna do Partido dos Trabalhadores sobre a atuação de funcionários dos Correios em favor da ex-presidente Dilma Rousseff contra Aécio Neves.
Bortoletto atribuiu a indefinição sobre o tema à falta de regras claras, responsabilizando o Congresso Nacional pela ausência de regulamentação. Contudo, ponderou que a empresa ainda está no prazo de defesa e defendeu a necessidade de aguardar o desfecho do caso antes de conclusões definitivas, ressaltando que sem a defesa final não há como emitir um julgamento sobre acertos ou erros.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/o-grande-debate-big-techs-tem-poder-de-mexer-com-eleicoes/
