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Bolsa Família maior antes da eleição gera alertas de economistas sobre contas públicas

Reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo federal eleva o valor mínimo para R$ 691, mas economistas questionam o timing eleitoral e os impactos fiscais.

Redação•21 de set. de 2026, 15:39
Bolsa Família maior antes da eleição gera alertas de economistas sobre contas públicas
Imagem: site

Bolsa Família maior antes da eleição gera alertas de economistas sobre contas públicas

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O anúncio do reajuste do Bolsa Família, feito pelo governo federal nesta quinta-feira (17), gerou ressalvas entre economistas. Embora o aumento seja considerado compatível com a reposição da inflação acumulada no período, especialistas questionam o momento escolhido para a divulgação e alertam para os impactos nas contas públicas, na inflação e nos juros.

O reajuste entra em vigor no próximo mês, elevando o valor mínimo do programa de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, segundo o Ministério do Planejamento, passará de R$ 675 para R$ 777. O anúncio ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, pleito no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é candidato à reeleição.

A equipe econômica nega motivação eleitoral. Segundo o governo, o reajuste de 15% recompõe parte da perda de poder de compra gerada pela inflação acumulada desde 2023, que chegou a 17% até agosto deste ano.

Avaliação de economistas sobre o timing e o impacto fiscal

Para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, o movimento é difícil de não ser interpretado como eleitoreiro devido à proximidade com o pleito. O professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), José Luis Oreiro, avalia que o reajuste em si é justo, mas critica o momento escolhido e aponta que decisões técnicas deveriam ser automáticas e não instrumentos de calendário eleitoral.

De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a medida custará R$ 5,8 bilhões em 2026, considerando os pagamentos de outubro a dezembro. Em 2027 e 2028, o acréscimo anual será de R$ 22,7 bilhões. O gasto elevará as despesas do programa de R$ 157,1 bilhões para R$ 179 bilhões no próximo ano, uma alta de 13,9%. Moretti afirmou que o governo tem segurança de que o espaço fiscal é superior ao necessário para custear a medida.

Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, aponta que o reajuste contribuirá para o problema fiscal e que o aumento de incertezas pode afetar a confiança de empresários, elevar a percepção de risco e pressionar a inflação e os juros, indo na direção contrária à política do Banco Central. Daniel Duque, pesquisador do Ibre/FGV, pondera que seria mais eficiente direcionar os recursos para os benefícios variáveis voltados a grupos específicos, como crianças e adolescentes, em vez de ampliar o piso geral.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/09/17/bolsa-familia-maior-antes-da-eleicao-economistas-questionam-timing-e-risco-as-contas-publicas.ghtml

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