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Canadá e União Europeia fecham aliança estratégica para autonomia

Canadá e União Europeia anunciaram a Aliança para o Futuro em Montreal para estreitar cooperação econômica, tecnológica e política.

Redação•30 de out. de 2026, 18:30
Canadá e União Europeia fecham aliança estratégica para autonomia
Imagem: site

Canadá e União Europeia fecham aliança estratégica para autonomia

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O Canadá e a União Europeia formalizaram nesta sexta-feira, 30, a criação de uma nova aliança estratégica voltada para a expansão da cooperação econômica, tecnológica e política, diante de um cenário de incertezas na ordem internacional. Denominada Aliança para o Futuro, a iniciativa foi oficializada ao término de uma cúpula de dois dias realizada em Montreal, com o objetivo de aproximar as partes em frentes como comércio, defesa e inteligência artificial (IA).

O pacto também pavimenta o caminho para uma relação institucional inédita, que poderá conferir ao Canadá o status de membro associado ao bloco europeu. Os contornos dessa nova modalidade institucional devem ser definidos em uma cúpula agendada para 2027. Contudo, a ideia gera divergências entre os integrantes da União Europeia: alguns governos manifestaram ressalvas quanto à concessão de uma designação sem clareza jurídica, por receio de gerar confusão com nações que buscam a adesão formal ao bloco. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, apoiou a aproximação, definindo o Canadá como o país mais europeu fora da Europa, e apontou o objetivo de construir a associação mais estreita e profunda já firmada entre o bloco e uma nação externa.

A aproximação geopolítica ganha força em meio a atritos nas relações de Ottawa e Bruxelas com Washington. Conflitos comerciais com os Estados Unidos e a preocupação com a dependência canadense de companhias norte-americanas em setores vitais motivaram o primeiro-ministro Mark Carney a buscar novos parceiros, visando reforçar a autonomia do país e mitigar a vulnerabilidade a decisões de governos ou empresas estrangeiras.

Tecnologia e Defesa

A vulnerabilidade decorrente da dependência de infraestruturas tecnológicas e de defesa controladas por empresas dos Estados Unidos tem gerado alarmes transatlânticos. Em outubro, restrições de acesso ao Starlink — operado pela SpaceX, de Elon Musk — na Ucrânia impactaram operações militares e de defesa, evidenciando os riscos de depender de redes privadas. Carney tem reiterado que tecnologias críticas para a segurança nacional não devem ficar subordinadas a interesses de empresários ou atores políticos estrangeiros.

Como contraponto, o premiê citou a fusão planejada entre a empresa canadense de IA Cohere e a alemã Aleph Alpha, com futuras sedes em Toronto e Berlim, como um avanço para diminuir a dependência das grandes corporações americanas. O governo do Canadá destinou um aporte de até 1,6 bilhão de dólares canadenses (equivalente a R$ 6,24 bilhões na cotação atual) para adquirir uma participação na Cohere. “Não estamos esperando que o futuro da IA seja decidido em outro lugar por pessoas que não conhecemos ou em quem não confiamos”, declarou Carney na quinta-feira, 29.

Adicionalmente, Ottawa e Bruxelas pactuaram nesta sexta-feira a integração do Canadá à rede europeia de supercomputadores, permitindo que pesquisadores e empresas canadenses utilizem a infraestrutura do bloco para o treinamento de modelos de inteligência artificial.

Comércio e Segurança Econômica

No âmbito comercial e de segurança econômica, a aliança prevê a supressão de barreiras comerciais e de restrições de viagens, o fomento a oportunidades educacionais e a consolidação de um mercado integrado capaz de movimentar dezenas de bilhões de dólares. Os líderes expressaram a necessidade de proteger cadeias de suprimentos e mitigar riscos frente a choques externos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu sobre o impacto da instabilidade no comércio internacional sobre os cidadãos. “Quando o comércio se torna uma ferramenta de pressão econômica, são as famílias que pagam o preço, desde as prateleiras do supermercado até o custo de um carro novo”, afirmou, alertando também sobre o uso político de fornecedores de energia e minerais críticos. Por sua vez, Carney frisou que a cooperação com a Europa fomentará a competitividade e diversificará as opções para consumidores e empresas, resumindo a iniciativa com o lema de mais concorrência e mais escolhas. Von der Leyen ainda reforçou que a associação não possui caráter ofensivo, mas visa a defesa de interesses comuns.

Atrito Político em Quebec

A cúpula também gerou repercussões e divergências na política interna canadense. O primeiro-ministro de Quebec, Paul St-Pierre Plamondon, boicotou o evento após o governo federal recusar seu pedido para realizar um discurso público. Governada por uma administração minoritária do partido separatista Parti Québécois, a província manifestou insatisfação com a postura de Ottawa. No início da semana, Plamondon criticou o tratamento dispensado ao governo regional, ironizando que a província havia sido autorizada a servir coquetéis em uma recepção, mas excluída de debates efetivos, o que evidenciou os desafios do governo federal em equilibrar a projeção de parcerias internacionais e as demandas internas por autonomia.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/canada-e-uniao-europeia-anunciam-alianca-estrategica-para-reduzir-dependencia-dos-eua/

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