O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode se transformar em um "pato manco" caso o Partido Demócrata reconquiste a maioria no Congresso durante as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A avaliação foi feita por Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política pela USP e especialista em política norte-americana, em participação no programa CNN 360°.
A expressão descreve uma administração que perde a governabilidade por não ter o respaldo do poder Legislativo. Segundo o especialista, Trump iniciou seu segundo mandato dotado de forte legitimidade política. "Ele venceu no colégio eleitoral e no voto popular, venceu em todos os swing states", declarou, ressaltando que tal feito não ocorria há bastante tempo.
Com o apoio do Congresso, do Senado e da Suprema Corte, alinhados aos republicanos, a gestão atual conseguiu aprovar grande parte de sua agenda nos dois primeiros anos. "Ele praticamente passou tudo o que ele quis passar nesses dois anos", pontuou Costa Júnior.
Favoritismo democrata e disputas internas
Pesquisas indicam que os democratas têm favoritismo para retomar o controle tanto da Câmara quanto do Senado, embora a disputa na câmara alta seja vista como mais disputada. O analista classificou o pleito como um referendo. "Ela é muito mais plebiscitária do que regional. É sobre a continuação dessa governabilidade ou não do governo Trump", afirmou, acrescentando que o fator histórico das midterms costuma beneficiar a oposição.
No âmbito interno das legendas visando as próximas eleições presidenciais, o especialista apontou desafios de renovação geracional em ambos os partidos. Entre os republicanos, os nomes apontados são o vice-presidente JD Vance — descrito como o mais jovem da história do país ao ser eleito, com 39 anos — e Marco Rubio. "Vai ter uma briga fratricida, quase uma guerra civil entre Rubio e Vance dentro do Partido Republicano", avaliou.
Do lado democrata, figuras como Ocasio Cortez e Bernie Sanders foram citadas, enquanto a sigla tenta consolidar um candidato forte para o pleito previsto para daqui a dois anos.
Baixa popularidade e promessas
Dois elementos principais explicam a baixa popularidade de Donald Trump, que registra 31% de aprovação — apontada como a maior rejeição histórica para um presidente dos EUA, de acordo com o especialista. O primeiro é a inflação, cujo controle havia sido prometido por Trump durante a campanha. "Ele disse que os democratas não controlaram a inflação e que ele, como homem dos negócios, faria esse controle. Não conseguiu", destacou.
O segundo motivo é a entrada dos Estados Unidos em um conflito armado contra o Irã, indo na contramão da promessa de evitar novos conflitos bélicos. Conforme o especialista, a expectativa de uma guerra curta de seis dias não se concretizou, e o confronto já ultrapassa seis meses sem prazo para término, o que afeta os preços de energia e compromete a confiança de setores de sua base.
