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Carta de Flávio Bolsonaro repercute na imprensa internacional com termos como golpista e inflamatória

A repercussão internacional da carta de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos destacou acusações sem provas de fraude eleitoral e a fuga do senador.

Redação•29 de out. de 2026, 13:30
Carta de Flávio Bolsonaro repercute na imprensa internacional com termos como golpista e inflamatória
Imagem: site

Carta de Flávio Bolsonaro repercute na imprensa internacional com termos como golpista e inflamatória

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A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos e a publicação de uma carta aberta na qual se declarou o verdadeiro líder do Brasil repercutiram amplamente nas principais redações do mundo. Após perder a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o herdeiro político do bolsonarismo desembarcou em Miami e fez acusações sem provas contra o sistema eleitoral brasileiro.

A primeira versão do documento sofreu rápida alteração nas redes sociais. Inicialmente difundida por aliados com a autoproclamação de verdadeiro presidente eleito do Brasil, a publicação foi apagada poucas horas depois e substituída por um texto definindo-o apenas como líder do Brasil, grafado inicialmente com “Z” em inglês. Veículos como o espanhol El País e o argentino Clarín apontaram que o recuo buscou evitar complicações no status jurídico do senador e constrangimentos à Casa Branca.

O jornal britânico The Guardian destacou que os três maiores jornais brasileiros classificaram a declaração como golpista, enquanto o Financial Times rotulou o texto de inflamatório e observou que as alegações de fraude surgiram sem evidências.

A fuga para os Estados Unidos

A imprensa internacional descreveu o trajeto até a Flórida como uma verdadeira operação de fuga cinematográfica. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenar a entrega de seus passaportes em meio a investigações por lavagem de dinheiro, Flávio desapareceu por mais de 24 horas. Ele realizou uma saída terrestre clandestina para a Argentina pela ponte internacional Tancredo Neves, usando um passaporte italiano para ingressar em Misiones. Na Argentina, embarcou com a família em um jatinho particular da empresa Baires Fly rumo a Guayaquil, no Equador, antes de seguir para o aeroporto de Opa-Locka, em Miami.

O jornal argentino La Nación apontou que o apoio explícito de governos regionais aliados, como os de Javier Milei e Daniel Noboa, foi decisivo para viabilizar a jornada. Na carta, Flávio agradeceu diretamente a Milei por sua coragem e sentido de justiça, além de Donald Trump por acolhê-lo. O The Washington Post avaliou que a saída buscou evitar a perda do foro privilegiado com o fim do mandato no Senado e a iminência de medidas restritivas mais duras no Brasil. O Financial Times ponderou que a fuga pode colocar em risco o domínio da família sobre a política de direita na América Latina.

Acusações sobre o pleito e reação internacional

Na carta divulgada a partir de Miami, Flávio alegou ter sido vítima de um manual clássico de golpe de Estado e acusou o Judiciário brasileiro de caça às bruxas, citando especificamente o ministro do STF Cristiano Zanin por prorrogar o horário de votação. O The New York Times ressaltou que a extensão beneficiou apenas cerca de 34 mil eleitores, uma fração irrelevante diante da margem de 4,4 milhões de votos que garantiu a vitória de Lula. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reafirmou a lisura do pleito, conforme sublinhou o Financial Times.

A falta de respaldo factual fez com que a narrativa encontrasse resistência na própria base bolsonarista. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, descartaram indícios de fraude e defenderam o respeito ao resultado, assim como o próprio Partido Liberal. O Guardian ainda pontuou que fugas tornaram-se prática recorrente entre aliados de Jair Bolsonaro que enfrentam acusações criminais no país.

Constrangimento para Donald Trump

A chegada de Flávio gerou uma saia justa política para Donald Trump, segundo o The Washington Post. Embora tenha classificado a eleição brasileira como estranha, Trump declarou que concedeu um salvo-conduto de entrada, mas que não se envolveria no impasse. A concessão do visto humanitário motivou críticas de parlamentares democratas, como Joaquin Castro, destacadas pelo Guardian e pelo La Nación. Analistas do New York Times e do Washington Post apontam os Estados Unidos como porto seguro do clã, lembrando as estadias de Jair Bolsonaro em Orlando em 2022 e de Eduardo Bolsonaro em autoexílio no Texas desde março de 2025. Distanciado da base e sem cargo público, Flávio enfrenta cenário de incerteza e isolamento, avaliou o Post.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/inflamatoria-infundada-golpista-como-a-carta-de-flavio-repercutiu-na-imprensa-internacional/

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